A Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, se transforma em ponto de encontro entre o campo e a cidade até o próximo sábado (9). A primeira edição da Feira da Agricultura Familiar Sabor Gaúcho especial de Dia das Mães reúne 64 expositores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, levando ao público uma diversidade de produtos que carregam histórias e tradição. Muitas bancas apresentam sugestões para os filhos presentearem as mães no domingo.
Bancas organizadas lado a lado exibem queijos artesanais, embutidos, vinhos, geleias, mel, panificados e produtos coloniais, além de artesanato tradicional, incluindo peças indígenas. O espaço é uma vitrine da produção familiar gaúcha é uma forma de aproximar produtores e consumidores.
A proposta, segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, presente na cerimônia de abertura, que ocorreu nesta segunda-feira (4), juntamente com o vice-governador Gabriel Souza e o prefeito Sebastião Melo, é justamente encurtar essa distância.
“Aqui, os produtos são únicos, porque cada expositor apresenta uma vida, uma família, uma tradição, uma história”, afirma.
A feira também se insere em um contexto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, setor que vem recebendo investimentos e que, apenas em 2025, com 139 eventos promovidos e um aporte estadual de mais de R$ 14 milhões, gerou mais de R$ 46 milhões em vendas.
Quem está atrás das bancas
Essa conexão entre campo e cidade se materializa nas histórias de quem está por trás das bancas. Juntamente com a família, Jéssica Vuaden trabalha na produção e beneficiamento de mel na Vuaden’s Apiários. Embora também comercializem em mercados e outros pontos de venda, ela destaca a importância das feiras para ampliar o contato com o público. A produção, que tem sede em Roca Sales, envolve cerca de 2 mil colmeias e é totalmente familiar. Pais, irmãos e ela própria participam de todas as etapas, desde o manejo das abelhas até o envase e rotulagem.
Além da comercialização, o trabalho desenvolvido pela família também é educativo. A agroindústria recebe visitas de estudantes para conhecer o manejo das abelhas, incluindo espécies com e sem ferrão. O cuidado com a qualidade do produto é rigoroso, com análises realizadas para identificar a origem floral do mel, o que influencia diretamente no aroma, na cor e no sabor. “O mel muda conforme a florada. Cada tipo tem uma característica diferente”, explica Jéssica, ao apresentar variedades como o mel de eucalipto e o de uva japonesa.
Ao lado da mãe e do filho, conta que cresceu em meio a produção. “Olha, o meu pai, desde que eu nasci ele já lida com mel, então cresci no meio. A gente lida a vida inteira com isso”. Nos últimos anos, a família reduziu as exportações, priorizando o fortalecimento da demanda interna, o que torna eventos como a feira estratégicos para estimular o mercado.
Mãe e filhos na produção
Vinda de Morrinhos do Sul, Regina Evaldt trabalha há mais de três décadas com produtos orgânicos. Sua agroindústria é familiar, onde ela trabalha ao lado dos filhos e do marido, produzindo geleias e doces a partir de frutas cultivadas na própria propriedade, sem o uso de conservantes ou aditivos químicos. “A gente produz a fruta, colhe e transforma. É tudo feito do zero”, conta.
A expectativa de vendas, segundo a produtora, é positiva, especialmente com a proximidade do fim de semana e do Dia das Mães, data que tradicionalmente impulsiona o consumo.
A Queijaria Alvorada Missioneira, de Canela, expõe queijos de vaca e de cabra, muitos deles premiados e com receitas autorais. A agroindústria é administrada pela família, com divisão de tarefas entre gerações, enquanto os pais cuidam da produção, a filha é responsável pela parte financeira e pela comercialização.
Para o produtor, Vanderlei Kaefer, as feiras vão além do espaço de venda, são locais de construção de vínculos. Esse contato direto com o público permite não apenas apresentar os produtos, mas também compartilhar histórias, modos de produção e valores que diferenciam a agricultura familiar.
“Clientes fidelizam, deixam de ser clientes e viram amigos.”
Presentes para as mães
Com raízes no interior do Estado, mas moradora da capital, Daniele Vargas escolheu comprar flores de um dos expositores para presentear sua mãe. Além do presente, ela levou outros produtos que remetem às suas memórias.
“Eu acredito muito na questão da união da comunidade. Minha família tem essas raízes mais interioranas, e eu acredito muito nisso. O queijo e o salame me lembram meu avô, toda essa cultura que é da nossa raiz. Eu acredito nessas feiras, que a gente tem que manter, preservar e cultivar para se perpetuar”, conta.
A territorialidade e o afeto transmitido através dos produtos se intensifica ainda mais pelo contexto da feira, realizada em homenagem ao Dia das Mães. Em muitas bancas, é comum ver diferentes gerações trabalhando juntas mães, filhos e até netos participam da produção e da comercialização. A sucessão familiar, aparece como uma preocupação recorrente entre os expositores, que buscam mostrar às novas gerações que é possível viver da agricultura e dar continuidade às tradições.
*com supervisão de Karina Reif
