A disponibilidade restrita de arroz segue dando suporte às cotações no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a necessidade de compra das indústrias e as dificuldades de carregamento provocadas pelas chuvas reforçam esse cenário.
O Centro de Pesquisas da instituição esclarece que os produtores permanecem retraídos, diante da expectativa de valores mais elevados.
“Embora a diferença entre os preços ofertados pelos compradores e os pretendidos pelos vendedores tenha diminuído, a liquidez segue limitada”, complementa o Cepea, em análise publicada nesta quarta-feira, 19.
“Neste cenário, algumas indústrias elevaram as ofertas de compra nos últimos dias e, em casos pontuais, chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir matéria-prima suficiente para atender novos pedidos”, acrescenta
Pesquisadores do Cepea ainda ressaltam que as chuvas dificultaram o carregamento do cereal em algumas regiões, o que faz aumentar a preferência por lotes já depositados nas unidades de beneficiamento.
Recomposição de estoques
Conforme o analista e consultor de Safras & Mercado Evandro Oliveira, a retenção de arroz na fonte mantém o fluxo de cadência de lotes abaixo da necessidade de reposição da indústria, deslocando a queda de braço para a disponibilidade física. Assim, os engenhos precisam recompor estoques, mas encontram resistência vendedora e expectativas próximas de R$ 80 por saca livre.
“Parte relevante do travamento decorre da falta de produtor disposto a vender”, lembra o analista. “Com estoque remanescente limitado, a paridade de exportação passa a funcionar como referência alternativa de valorização, elevando o custo de oportunidade do vendedor”, explica.
O Indicador Safras do cereal em casca no Rio Grande do Sul (58%/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira da semana passada, 13, cotado a R$ 75,10, alta de 3,98% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período de julho, o avanço foi de 22,63%, enquanto que em relação a 2025,a valorização atingiu 7,30%.
Embarques gaúchos
No relatório mensal de exportações da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul), divulgado na semana passada, os números do arroz mostravam ampliação dos embarques de US$ 241 milhões de janeiro a julho de 2025 para US$ 288 milhões no mesmo período deste ano, ou 19%; e, em receita, expansão de 57%: de 627 mil para 985 mil toneladas.
Mas em julho, houve queda de 44,1% em valor e 41% em volume, porque não repetiu os volumes importantes a alguns destinos de julho de 2025.
“Na Venezuela, principal contribuição negativa, os embarques gaúchos diminuíram de aproximadamente 57,6 mil para 25 mil toneladas, mas o país continuou sendo um comprador relevante. A retração coincide com uma melhora importante da oferta doméstica venezuelana”, explicou a Farsul.
“Também não se repetiram embarques relevantes de julho de 2025 para Nicarágua, Gâmbia e Serra Leoa, enquanto Panamá e Senegal ampliaram suas compras.”
