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Mercado de bioinsumos se encaminha para R$ 10 bilhões

Previsão no agronegócio brasileiro é para 2030, uma alta de 46% sobre a movimentação do ano passado

Culturas de alta demanda nutricional como a soja empregam mais os bioinsumos como alternativa para reduzir custos
Culturas de alta demanda nutricional como a soja empregam mais os bioinsumos como alternativa para reduzir custos Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões, em 2025, (considerando categorias como biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes). E pode chegar próximo de R$ 10 bilhões até 2030, o que representaria um crescimento de aproximadamente 46%, segundo dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio).

Para debater o uso de microrganismos benéficos na agricultura, os protocolos de análise de qualidade e de validação de novos produtos, os desafios de mercado e de legislação, cerca de 250 participantes, entre cientistas, comunidade acadêmica, órgãos de fiscalização, representantes da indústria estão reunidos na XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), realizada nesta semana, no Centro de Eventos Sistema FIEP, em Curitiba (PR).

Criada em 1985, a Relare consolidou-se como instância técnica consultiva do Ministério da Agricultura para a recomendação de estirpes microbianas e padronização de métodos de análise de inoculantes no Brasil. Com a aprovação da Lei de Bioinsumos, o setor entra em uma nova etapa, que deverá exigir avanços tanto na área jurídica quanto técnica.

“Nesse cenário, a Relare atua como espaço de articulação e trabalho conjunto entre os diferentes segmentos do setor”, avalia Segundo o primeiro presidente da Relare, Solon Araújo, conselheiro da Anpii-Bio.

Na visão da pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, a Relare contribuiu para consolidar o uso de inoculantes no Brasil, com destaque para a elaboração dos protocolos de campo utilizados pelo Ministério da Agricultura em processos de registro de inoculantes, além da contribuição para a integração entre pesquisa, indústria e órgãos reguladores. Para ela, o Brasil construiu uma posição de liderança mundial no uso dessas tecnologias.

Grandes culturas

Culturas de alta demanda nutricional - como soja, milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens - passaram a empregar com mais intensidade os bioinsumos como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência de uso de nutrientes, e melhorar a eficiência produtiva.

No caso da soja, o uso de bactérias capazes de realizar a Fixação Biológica do Nitrogênio dispensa totalmente o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Cerca 85% da área de soja no Brasil adota a tecnologia a cada safra.

A pesquisadora explica que, mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes naturalmente no solo, recomendamos a aplicação anual dos inoculantes, já que este bioinsumo pode gerar ganhos médios de produtividade da ordem de 8% e 16% na soja.

“Essa substituição gerou uma economia aproximada de U$ 28 bilhões ao Brasil, na última safra. Em termos ambientais, foi evitada a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente— o que equivale a retirar das ruas 60 milhões de carros de passeio de circulação por um ano”, calcula Mariangela.

Inoculantes para gramíneas

O uso de inoculantes para gramíneas já ultrapassa 40 milhões de doses comercializadas anualmente. Embora não substituam totalmente os fertilizantes nitrogenados no milho, podem aumentar a eficiência do aproveitamento dos nutrientes e, em determinadas condições, permitem reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura”, explica.

A programação técnica da Relare foi estruturada para abordar os temas mais urgentes e estratégicos do setor, explica o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, presidente da XXII Relare.

“Debateremos temas como regulamentação, metodologias de análise, além de controle de qualidade, ensaios interlaboratoriais e padronização de biosumos. Abordaremos também as tendências de mercado, proteção intelectual, novos ativos para biocontrole e a segurança sanitária na regulamentação de bioinsumos. Trata-se de uma oportunidade única para alinharmos a pesquisa às demandas reais de campo, de mercado e da regulação”, detalha Nogueira.

Regulamentação

Amália Borsari, diretora da CropLife, afirma que a regulamentação de bioinsumos no Brasil precisa acompanhar os avanços científicos e estabelecer critérios de análise de risco adequados e proporcionais para diferentes microrganismos, considerando as particularidades entre espécies e cepas e suas aplicações no controle de pragas e doenças e na promoção do crescimento das plantas.

“O País já avançou nos procedimentos regulatórios para produtos de controle biológico e inoculantes, mas o tema segue em evolução e exige alinhamento com as discussões internacionais. Nesse cenário, ganham importância aspectos como rastreabilidade, identidade, qualidade, segurança e transparência, além de iniciativas voltadas à internacionalização dos bioinsumos brasileiros e à conexão das empresas nacionais com outros mercados”, avalia Amália.

A Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio) e com a CropLife Brasil, e com o apoio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT MicroAgro) e da Fundação Araucária.

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