Rural

Ministério da Agricultura corrige dados no Zarc para o milho no Rio Grande do Sul

Embrapa identificou um erro de processamento de dados no Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que superestimou o risco climático na semeadura

Após queixa dos agricultores, Mapa encaminhou pedido de revisão ao grupo de trabalho responsável pelo Zarc da cultura
Após queixa dos agricultores, Mapa encaminhou pedido de revisão ao grupo de trabalho responsável pelo Zarc da cultura Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou as portarias que atualizam o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho. Assim que foram divulgadas no Diário Oficial da União os dados sobre o calendário de semeadura em alguns municípios do noroeste do Rio Grande do Sul foram questionados pelo setor produtivo.

Após reavaliação, a equipe da Embrapa identificou um erro de processamento de dados, que superestimou o risco climático no início da semeadura. As informações foram corrigidas e já estão disponíveis no Painel de Indicação de Riscos.

Após receber a queixa dos agricultores, a Secretaria de Política Agrícola do Mapa encaminhou um pedido de revisão ao grupo de trabalho responsável pelo Zarc do milho. A reanálise dos dados constatou que houve um equívoco na programação pós-processamento para os dados do mês de agosto em relação aos decêndios críticos para geada.

A programação foi feita como decêndios críticos aqueles da semeadura e não de pós-emergência. Com isso, o risco para geada em alguns municípios ficou superestimado, afetando as janelas ideais para semeadura.

“Com a correção, os resultados ficarão mais próximos do Zarc que foi vigente na safra passada, embora não iguais, pois a base de dados usada é diferente e os critérios de solo também”, explica o pesquisador Maurilio Fernandes de Oliveira, da Embrapa Milho e Sorgo.

Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de Risco Agropecuário do Mapa, acredita que com a publicação da portaria do Zarc para a cultura do milho no Rio Grande do Sul, ano-safra 2026-2027, retificada, os problemas levantados estejam sanados e a preocupação dos produtores de milho no Estado afastada de vez.

Atualização da base de dados

O novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático da cultura do milho trouxe duas novidades em relação à versão anterior. Uma delas é a atualização da base de dados meteorológicos, que passou a usar a série temporal entre 1992 e 2022 e com maior número de estações meteorológicas, o que garantiu maior precisão nas informações.

Outra mudança foi a incorporação do modelo de classificação de solo em seis níveis de água disponível (ADs). Essa classificação leva em conta o percentual de areia, silte e argila, no talhão. Na versão anterior eram usadas apenas três classes de solo (arenoso, médio e argiloso).

“Qualquer Zarc, considerando uma base de 30 anos de dados diários, 36 decêndios de semeadura, 3 grupos de cultivares, 6 solos diferentes e para 3 níveis de risco, exige, depois das simulações de riscos hídricos e térmicos (geadas), a geração de 58.320 mapas para que se extraia, no pós-processamento, a informação dos períodos favoráveis de plantio em escala municipal", explica o pesquisador Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, coordenador da Rede Zarc.

"E isso é feito para todos os municípios brasileiros. Por isso, embora esses resultados tenham sido submetidos à validação dos usuários, em reunião online, realizada no dia 25 de novembro de 2025, não descartamos que algum erro possa passar despercebido.”

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