Rural

Oferta restrita sustenta preços e impulsiona cotações do feijão preto

Produção nacional da safra 2025/2026 está estimada em 2,95 milhões de toneladas

Feijão-preto apresentou as maiores valorizações da semana
Feijão-preto apresentou as maiores valorizações da semana Foto : Alina Souza / CP Memória

O mercado de feijão manteve a trajetória de valorização na última semana, sustentado pela oferta mais ajustada e pela firmeza dos vendedores, aponta o Indicador Cepea/CNA.

Segundo o boletim, o movimento foi mais intenso para o feijão-preto, que registrou as maiores altas no período. A produção nacional da safra 2025/2026 está estimada em 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6%, enquanto os estoques finais devem atingir apenas 98,1 mil toneladas.

O feijão-preto apresentou as maiores valorizações da semana. A presença mais ativa dos compradores, especialmente no Paraná, aumentou a disputa pelos lotes disponíveis. Na Metade Sul e em Curitiba (PR), incluindo os Campos Gerais, as cotações avançaram 10% entre 10 e 17 de setembro.

No Oeste Catarinense, os preços subiram 4,51%, favorecidos pela procura por grãos de melhor qualidade e pela baixa disponibilidade. Em Itapeva (SP), a valorização alcançou 4,78%, em cenário de chegada de ofertas às indústrias e avaliação da necessidade de recomposição dos estoques.

A forte redução da produção nacional de feijão-preto na safra 2025/26 também contribui para o cenário de firmeza. Segundo a Conab, a produção dessa variedade caiu 38,0% na primeira safra e 42,9% na segunda, restringindo a disponibilidade doméstica.

No curto prazo, a oferta restrita tende a sustentar as cotações. Por outro lado, a cautela dos compradores pode limitar altas mais intensas, especialmente para o feijão-carioca. Entre 10 e 17 de setembro, predominaram as valorizações para o feijão-carioca de melhor qualidade. No Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, os preços avançaram 4,49%, sustentados pela firmeza d os vendedores.

Na região da capital paulista, a saca de 60 kg foi negociada, em média, a R$ 342,91 no dia 16. Em Barreiras (BA), por outro lado, a diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e as indicações dos compradores restringiu a liquidez, resultando em leve queda de 0,16% no período.

Apesar da valorização recente, os compradores seguem cautelosos e realizando aquisições de acordo com suas necessidades imediatas. Assim, a menor disponibilidade tende a sustentar os preços no curto prazo, mas a resistência da demanda aos atuais patamares pode limitar novas altas.

Os lotes de qualidade intermediária do feijão-carioca também registraram predominância de alta. No Noroeste de Minas Gerais, as cotações avançaram 4,99%, principalmente para grãos de coloração mais clara. Em Sorriso (MT), os preços recuaram 1,46%. Apesar da boa coloração dos lotes disponíveis, os níveis de umidade aumentaram a resistência dos compradores aos valores solicitados.

O comportamento reforça a seletividade do mercado, com características de qualidade, especialmente coloração e umidade, permanecendo relevantes para a formação dos preços e para a liquidez dos lotes.

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