Rural

Pescadores protestam em praça de pedágio em Rio Grande

Eles pedem a não limitação na pesca da tainha no estuário da Lagoa dos Patos

Com cartazes eles realizam bloqueios nos dois sentidos do trecho  BR 392 por aproximadamente 10 minutos
Com cartazes eles realizam bloqueios nos dois sentidos do trecho BR 392 por aproximadamente 10 minutos Foto : Irandir da Silveira Rodrigues / Especial CP

Nesta quarta-feira, pescadores do estuário da Lagoa dos Patos realizaram um protesto no quilômetro 52,23, da BR 392, em Rio Grande. A manifestação ocorreu na praça de pedágio do Capão Seco.

Conforme a Polícia Rodoviária Federal, no início da manhã cerca de 150 pessoas estavam no local. Com o passar das horas, centenas de pescadores artesanais se juntaram à manifestação. Os bloqueios na pista começaram pouco antes das 10h, a cada 10 minutos. O motivo da iniciativa é que no último dia 28, o Governo Federal publicou uma portaria que limita a pesca de tainha na Lagoa dos Patos. Os pescadores reclamam que, sob argumento da sustentabilidade, colocam em risco a sobrevivência de milhares de famílias que utilizam a pesca como modo de vida. Ainda segundo eles, a mesma portaria autoriza que embarcações de pesca industrial de Santa Catarina a capturar tainha ovada, para exportação das ovas, comprometendo a reprodução de cardumes. Os manifestantes querem a revogação imediata da cota de cota de captura de tainha para pescadores artesanais e a criação imediata de uma mesa de negociação com o governo federal sobre o assunto.

"O pessoal é contra esta cota. Não tem como viver com 2,3 mil toneladas no total, dando 766 kg de pescado para cada pescador de tainha. sendo que Santa Catarina pode mais 4,1 mil toneladas com três modalidades e a nossa é só uma", lamenta o presidente da Colônia de Pescadores Z2, localizada em São José do Norte, Irandir da Silveira Rodrigues.

Ele destaca que no estuário são 2,3 mil toneladas para cerca de três mil pescadores. "Queremos no mínimo de quatro a cinco mil toneladas", destaca. Ele que acompanha o protesto afirma que a lei entrou em vigor no último dia 1º e que decidiram fechar o local para chamar a atenção. "Aqui tem muito movimento, pois além de ser trajeto para o Porto, várias pessoas estão voltando da folga de carnaval agora, então é para chamar a atenção para o assunto mesmo", observa.

Devido a manifestação, a Ecosul, concessionária que administra a rodovia informou há pouco que suspendeu a operação no local em razão da liberação das cancelas do pedágio pelos manifestantes, a cada 10 minutos. "A concessionária procurou garantir a segurança de seus colaboradores,retirando-os das cabines de cobrança do pedágio. A Ecosul aguarda o encerramento da invasão, monitorada pela Polícia Rodoviária Federal", diz em nota. A manifestação dos pescadores artesanais se encerrou pouco antes das 16h e os pedágios voltaram a ser cobrados no local.