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Potra passa por cirurgia de alta complexidade em Hospital Veterinário da UPF

Tumor ósseo foi retirado do crânio do animal pela equipe

Riscos existentes antes do procedimento estava a possibilidade do comprometimento de estruturas nervosas do equino
Riscos existentes antes do procedimento estava a possibilidade do comprometimento de estruturas nervosas do equino Foto : Rafaela Bitello / Imprensa UPF / CP

Uma cirurgia delicada e de alta complexidade em uma potra ocorreu no Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo (UPF). A equipe retirou um tumor ósseo no crânio de uma potra, um procedimento considerado raro devido tanto ao diagnóstico quanto à região anatômica envolvida.

A paciente chamada Tromba chegou à instituição após seu proprietário, Henrique Petrobiasi, perceber um aumento de volume na região da cabeça da potra, ainda em suas primeiras horas de vida. Um exame de radiografia realizado em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) confirmou o diagnóstico de um osteoma, um tumor ósseo congênito extremamente raro, sem relatos descritos na literatura em equinos.

Com base nessas informações, a equipe do Hospital Veterinário da UPF planejou e executou a cirurgia no dia 1º de julho. A professora Taline Scalco Picetti, responsável pelo setor de equinos da UPF, afirmou que realizar uma cirurgia na cabeça de um animal ainda é um procedimento complexo e desafiador.

“Quando a gente fala em cirurgias de cabeça, de crânio, de face, a gente tem muitas estruturas importantes que acabam estando presentes no momento da cirurgia. Então, a cirurgia é complexa devido à anatomia e às estruturas ali presentes”, explica Taline.

Processo para a retirada

Antes da cirurgia, a égua Tromba passou por uma série de exames para confirmar a existência do tumor. Primeiro, uma endoscopia identificou uma redução da passagem de ar pelos seios paranasais e pelos cornetos nasais. Na sequência, uma biópsia e o exame anatomopatológico permitiram chegar ao diagnóstico de osteoma.

Entre os riscos existentes antes do procedimento estava a possibilidade do comprometimento de estruturas nervosas do equino, condição que pode provocar dor intensa e graves consequências para o animal, conforme explica Taline. “Por isso ficamos orgulhosos como hospital e equipe, porque foi uma cirurgia que, apesar da literatura trazer complicações, foi um sucesso”, finaliza a professora.

Após nove dias de acompanhamento intensivo no pós-operatório, Tromba recebeu alta com boa recuperação, reforçando a capacidade do Hospital Veterinário da UPF para atender casos de alta complexidade e contribuir para o avanço da medicina veterinária.

Ensino aliado à prática

Além do atendimento de alta complexidade, o caso também se tornou uma experiência de ensino para os estudantes da UPF. A rotina do Hospital Veterinário conta com médicos veterinários, residentes e estagiários, que acompanham diferentes etapas do atendimento aos animais, e alguns acompanharam de perto a evolução de Tromba, como é o caso de Júlia Zorrer, médica veterinária residente em Clínica e Cirurgia de Grandes Animais do HV/UPF.

Segundo ela, a experiência representa uma importante evolução no aprendizado para todos os profissionais envolvidos no caso. “A gente, como veterinário, está sempre procurando evoluir em nossos diagnósticos, nos tratamentos e, no caso dela, com certeza contribuiu muito para a medicina de equinos a nível nacional ou, quem sabe, a nível mundial”, afirma.

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Conforme Júlia, a ausência de respaldo científico sobre casos semelhantes tornou a experiência ainda mais significativa.

“Termos a oportunidade de operar uma cirurgia desse porte, que mobilizou tanto a equipe aqui de Passo Fundo quanto a equipe da UCS, com certeza foi um aprendizado muito grande”, completa.

História de superação

O desfecho positivo encerra uma trajetória marcada por incertezas para Henrique Pietrobiasi, proprietário de Tromba. Conforme explica, a potra é filha de uma égua que está com ele há 12 anos. A égua, no entanto, já havia passado por uma tentativa trágica de gerar um filhote: a primeira cria morreu após um acidente com apenas 43 dias de vida.

Quando Tromba nasceu, Henrique novamente precisou lidar com uma situação inesperada. “Quando ela nasceu, veio com esse tumor. Fiquei também muito triste, pensei ‘tenho muito azar de ter acontecido de novo isso’. Mas eu acredito que tudo tem um propósito”, conta.

Depois da descoberta da alteração e da confirmação do diagnóstico, Henrique foi informado sobre os riscos da cirurgia. Mesmo diante das incertezas, decidiu seguir com o tratamento.
“Eu tenho certeza que valeu, porque eu acredito que nada na nossa vida é por acaso”, afirma. Após a alta, Tromba seguirá com cuidados e tratamentos na propriedade de Henrique.

Tromba seguirá com cuidados e tratamentos após a alta | Foto: Rafaela Bitello / Imprensa UPF/ CP