A restrição da União Europeia (UE) para a entrada de carnes, ovos, mel e outros produtos do agronegócio brasileiro representaram, no ano passdo, 6,2% no valor total exportado pelo agro do Rio Grande do Sul, ou US$ 133,8 milhões, e 1,2% do volume, o equivalente a 32,8 mil toneladas.
O cenário foi divulgado, em nota, nesta terça-feira, 9, pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul (Federação da Agricultura do RS). “Isso indica que, em 2025, o grupo tinha peso relevante, mas ainda limitado dentro da pauta agro gaúcha destinada ao bloco”, interpretou a entidade.
A UE anunciou que vai barrar, a partir de 3 de setembro, a entrada de alguns produtos de origem animal do Brasil porque o país precisa comprovar a não utilização de antimicrobianos na produção.
No Brasil, os produtos potencialmente proibidos representaram 7,3% do valor exportado ao bloco e 1,1% do volume em 2025 fechado, apontou a nota. A exposição nacional foi maior: US$ 1,848 bilhão exportado para o bloco, principalmente por bovinos e frango. O principal embarque foi em bovinos, com US$ 1,008 bilhão, seguido por frango, com US$ 763,0 milhões.
Conforme a nota da entidade, no Estado o “principal risco econômico absoluto” em 2025 estava em aves, sobretudo frango e peru. Afinal, a UE foi o terceiro destino do frango gaúcho em valor, com US$ 102,2 milhões, e o segundo de peru e demais aves, com US$ 15,7 milhões.
“A leitura por produto evita uma conclusão excessivamente agregada. Bovinos aparecem com exposição menor à UE no RS, apenas 2,9% do valor exportado da categoria em 2025. Por outro lado, equídeos, peru e tripas apresentaram exposição proporcional relevante dentro de suas próprias cadeias”, acrescentou.
Já no mel natural, o bloco europeu respondeu por 2,2% do valor e 2% do volume exportado pelo RS.
A Farsul ainda ressaltou as expressivas antecipações ou acelerações de embarques de frango, peru e mel em maio: em frango foi 188,4% superior a maio de 2025 e 100,2% acima da média mensal de janeiro a abril. E no mel, maio ficou “muito acima da média dos quatro meses anteriores, o que reforça a relevância do mercado europeu para a cadeia.”
Quanto às antecipações de embarques, também ocorridas em nível nacional para frango, peru e mel, a Farsul sugere interpretação cautelosa, pois o maio recente também foi o primeiro mês de vigência provisória do acordo Mercosul-UE.
“Portanto, o aumento das vendas para a UE pode refletir uma combinação de fatores: recomposição comercial, uso de preferências do acordo e antecipação de embarques antes do veto”, esclarece.
“Governo falhou”
Na nota a Farsul esclareceu a atitude da UE: “A restrição europeia não decorre de uma exigência inesperada: a obrigação de comprovação de controle, publicada em outubro de 2024, já estabelecia a necessidade de demonstrar conformidade com as regras da UE sobre o não uso de antimicrobianos como promotores de crescimento”, descreveu.
“Ao não apresentar garantias suficientes em tempo hábil, o governo brasileiro falhou em se adaptar a uma regra conhecida e colocou sob risco um conjunto de produtos que, em 2025 fechado, respondeu por 6,2% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho à União Europeia e 7,3% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro ao bloco.”
Ainda segundo a nota, a exigência europeia “não era nova nem surgiu em um vácuo regulatório.”
“As regras aplicáveis aos produtos de origem animal exportados por países terceiros foram publicadas em 2023, e o marco operacional de comprovação e listagem dos países habilitados foi estabelecido em outubro de 2024, dando prazo e previsibilidade para que o Brasil demonstrasse conformidade antes da exclusão anunciada pela União Europeia”, argumentou.
“Embora o governo brasileiro tenha declarado surpresa com a decisão, a própria Comissão Europeia afirmou que vinha tratando o tema com as autoridades brasileiras. Portanto, o episódio sugere menos uma mudança súbita de regra e mais uma falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva por parte do Brasil diante de uma exigência europeia já conhecida.”
