Rural

Protagonismo feminino no Agroecologia 2026 em Pelotas

Evento na Embrapa Clima Temperado reúne, em dezembro, pesquisa, extensão e movimentos sociais para discutir inovações e a atuação da mulher no campo

Comitê organizador do Agroecologia 2026 definiu como tema central o protagonismo feminino na produção de base ecológica
Comitê organizador do Agroecologia 2026 definiu como tema central o protagonismo feminino na produção de base ecológica Foto : Francisco Orlandi / Embrapa / Divulgação / CP

Em convergência com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que instituiu 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, o comitê organizador do Agroecologia 2026 definiu como tema central o protagonismo feminino na produção de base ecológica.

Nos dias 3 e 4 de dezembro de 2026, a Embrapa Clima Temperado realiza o evento na Estação Experimental Cascata (EEC), em Pelotas. O encontro é resultado de uma construção histórica de mais de duas décadas, articulando pesquisa pública, instituições de ensino, extensão rural e movimentos sociais e de agricultores.

Este ano o Agroecologia apresenta uma nova experiência ao público: a Cozinha Show – Receitas Ancestrais, Saberes e Fazeres de Povos e Comunidades Tradicionais. Serão realizadas apresentações de receitas preparadas com ingredientes nativos e sazonais, destacando os processos de preparo, saberes e técnicas tradicionais que preservam a sabedoria ancestral e fortalecem a soberania alimentar.

Cozinha Show

A equipe responsável pela Cozinha Show reúne chefs de cozinha, pesquisadores acadêmicos, servidores públicos, nutricionistas, além de lideranças de movimentos populares e representantes de povos e comunidades tradicionais.

O projeto é uma realização da Secretaria de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais do MDA (SETEQ/MDA) em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A programação de 3 de dezembro, das 9h às 17h, concentra atividades técnicas, expositivas e de integração. O XXI Dia de Campo sobre Agroecologia e Produção Orgânica apresentará soluções tecnológicas para a diversificação da matriz produtiva, divididas em quatro estações temáticas: Serviços Ambientais, Agrossociobiodiversidade, Sistemas de Produção Biodiversos e Saúde do Solo.

Simultaneamente, a V Feira da Agroecologia demonstra o funcionamento do sistema agroecológico por meio de três segmentos: comercialização direta de produtos in natura e da agroindústria regional por agricultores; estandes de representações institucionais; e espaços para organizações e empresas apresentarem insumos e estratégias tecnológicas.

O evento também abriga a III Feira de Sementes Crioulas, que promove o intercâmbio de conhecimentos e recursos genéticos entre guardiões de sementes, valorizando a agrobiodiversidade resguardada por agricultores familiares e povos tradicionais.

Integrada a essa proposta, a III Exposição de Máquinas para a Agricultura Familiar, organizada em parceria com a Rede Mecaniza, aborda o desafio da mecanização adequada ao setor. Com a participação de empresas e instituições, o espaço cria um ambiente de exposição e troca de experiências sobre equipamentos projetados ou adaptados por agricultores para minimizar o esforço físico no campo.

A programação do primeiro dia conta ainda com a IV Mostra Cultural e Artística e com a IV Ciranda Agroecológica. A Ciranda, que também acontece no segundo dia de evento, oferece experiências pedagógicas e lúdicas para crianças de escolas rurais e urbanas, abordando temas como meio ambiente e produção de alimentos por meio de um diálogo interdisciplinar entre instituições de ensino, pesquisa e educadores.

No dia 4 de dezembro, das 8h30 às 17h, o destaque vai para o II Encontro Sul-Brasileiro de Mulheres e Agroecologia. Originada a partir de uma articulação liderada por mulheres da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), a iniciativa visa consolidar um espaço horizontal de troca de saberes, resistências e construção de redes entre pesquisadoras, extensionistas, estudantes e mulheres do campo, das águas e das florestas.

O objetivo do encontro é fortalecer a luta coletiva por direitos. A escolha da Estação Experimental Cascata como sede celebra o amadurecimento desta pauta na região sul do Rio Grande do Sul, dando continuidade a marcos estruturais recentes, como a articulação política liderada pelo Fórum da Agricultura Familiar (FAF) e as ações humanizadas de cuidado e saúde promovidas pelo Projeto Pátio do Bem-Viver.

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