Rural

Raça Bravon recebe reconhecimento oficial

Cruzamento combina características Devon e zebuínas e tem maior adaptabilidade

Ministério da Agricultura homologou ontem o registro
Ministério da Agricultura homologou ontem o registro Foto : Karina Reif / Especial /CP

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) homologou o reconhecimento da raça sintética Bravon, uma cruza de bovinos Devon com zebuíno de corte. Nesta sexta-feira (25), o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cléber Soares, esteve em Porto Alegre, onde entregou o documento, publicado no Diário Oficial, que concede à Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) a autorização para trabalhos de registro genealógico de animais da raça.

“Não é à toa que o Brasil, no segmento de carnes, exporta para mais de 170 países. Não é por acaso que somos referência, para não dizer os melhores do mundo em defesa agropecuária”, destacou durante evento promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB).

Elizabeth Cirne Lima, que faz parte do Conselho Deliberativo da associação e que deve assumir a presidência na próxima gestão apresentou as vantagens do Bravon, que contém sangue 5/8 Devon e 3/8 zebuíno. Entre elas, estão a maior adaptabilidade e o desempenho em ambientes tropicais. A raça reúne características Devon, como precocidade, fertilidade, habilidade materna, facilidade de acabamento e qualidade de carcaça e de carne. Dos zebuínos, estão presentes rusticidade, adaptabilidade, longevidade e resistência a endo e ectoparasitas.

“Estávamos esperando há muitos anos (pela homologação). Até pouco tempo, não se podia levar um animal registrado para exposições, por exemplo. Agora tem o registro oficial”, declarou o presidente da ABCDB, Alfredo da Silva Tavares, lembrando que a raça sintética já havia sido reconhecida em 2020, mas por conta da pandemia, o processo havia ficado parado. “Nós já tivemos oportunidade de exportar Devon para a Argentina e eles se interessaram em Bravon. Agora, com o registro, isso vai facilitar.”

Simone Bianchini, vice-presidente da entidade, que é criadora em Santa Catarina, destacou que o cruzamento proporciona, na prática, animais com melhor conformação de carcaça, que ficam prontos mais rápido para o abate e têm pelo fino, característica associada à influência zebuína que dificulta a infestação por carrapatos.

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