A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e o Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Vale do Rio Pardo promoveram na quarta-feira, 25, o 16º Fórum de Diversificação na Agricultura Familiar, na Expoagro Afubra, em Rio Pardo.
Além da temática da resiliência, o encontro abordou a recuperação produtiva do solo após o evento climático extremo de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Com pesquisas e ações práticas, a iniciativa detalhou o diagnóstico de danos do Recupera Rural RS e o panorama atual da política pública de Estado Operação Terra Forte.
O coordenador-geral da Expoagro Afubra, Marco Antonio Dornelles, fez a abertura do fórum, destacando que a Afubra, desde a sua fundação, desenvolveu a diversificação das atividades produtivas.
“É importante que a gente trabalhe e discuta o desenvolvimento. Este ano, a gente trouxe o tema da resiliência, olhando para as dificuldades que os agricultores sofreram nos últimos anos”, enfatizou Dornelles.
Dornelles reforçou a importância de o Fórum pautar o assunto dentro da programação da feira.
Para o presidente do Corede Vale do Rio Pardo, Heitor Álvaro Petry, a maior potencialidade é poder fazer a integração das entidades.
“Essa é a nossa grande força. A Expoagro Afubra também é o sinônimo da integração de todo o segmento e cultura da nossa região. E isso nos faz avançar”, frisou. Petry apontou os produtos diversos e de qualidade ofertados pelas agroindústrias como fruto do esforço conjunto entre entidades, políticas públicas, incentivo, apoio técnico, entre outros.
Operação Terra Forte
O presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, falou sobre os desafios do clima no Rio Grande do Sul, com estiagens prolongadas, chuvas, cheias extremas e granizos. Ele trouxe o panorama atual do Operação Terra Forte, uma grande estratégia técnica para o estado gaúcho fundamentada para todas as atividades produtivas.
A iniciativa, por meio de diagnósticos, aporta recursos em áreas estratégicas, como a agricultura, no chamado Plano Rio Grande, que foca em resiliência, enfrentamento às emergências e recuperação produtiva.
Baldissera ainda mostrou que 405 municípios relataram perdas de fertilidade e solo por erosão hídrica em mais de dois milhões de hectares, após o evento climático extremo de 2024. A seleção dos agricultores no Terra Forte baseia-se em diagnósticos sociais, ambientais e produtivos, identificando o que precisa ser superado e o plano de ação individualizado.
Nas estratégias estão a recuperação e renovação das pastagens, sistemas integrados, irrigados, de plantio direto, acesso a alimentos seguros, entre outras. “Temos que apostar cada vez mais nestas estratégias”, pontuou.
Recupera RS
O diagnóstico do Recupera Rural RS foi apresentado pelo pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Ernestino de Souza Gomes Guarino. A iniciativa integra a Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação dos Efeitos da Mudança Climática na Agricultura, desenvolvida antes do evento climático extremo de 2024. Durante a apresentação, o pesquisador exibiu registros dos danos causados pelas chuvas e detalhou levantamentos, ações e estratégias de recuperação das áreas gaúchas atingidas, entre elas, os Vales do Rio Pardo e Taquari.
O pesquisador falou da importância de escutar os agricultores, para que eles façam parte das discussões e da tomada de decisão, que corresponda com a realidade local.
“É uma outra forma de pensar ciência e de executar as ações, que é conectar com as reais demandas e necessidades da comunidade e das pessoas. A partir disso, dessa união das comunidades, entidades de pesquisa, assistência técnica, governo, vamos conseguir construir realmente um sistema de produção muito mais resiliente às mudanças climáticas”, finalizou Guarino.
