Um encontro reuniu diretores da Bayer, deputados estaduais e lideranças de nove das principais entidades do agronegócio gaúcho na Assembleia Legislativa para debater a polêmica dos royalties pagos pelos produtores gaúchos ao uso da tecnologia de soja transgênica Intacta RR2 Pro da empresa, na manhã desta quinta-feira, 2.
Os integrantes da empresa argumentaram as razões da cobrança, enquanto os parlamentares e as lideranças contestaram os pagamentos e as maneiras como têm sido realizados, inclusive os valores, sobretudo pela situação de dificuldades enfrentadas pelo agro gaúcho em razão das sucessivas perdas climáticas.
O encontro, por quase três horas, ocorreu na Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Casa, evento que foi proposto pelo deputado Elton Weber (PSD) e presidido pelo parlamentar Zé Nunes (PT).
Em suas explanações, Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para América Latina, e Fabiano Oliveira, líder de Negócios de Soja da Bayer no Brasil, enfatizaram a relevância e o diferencial das tecnologias Intacta geradas pela empresa para os ganhos da produtividade brasileira e também gaúcha, inclusive em situações de dificuldades climáticas.
“A Bayer é uma empresa que o ‘coração’ é entregar inovação para o agricultor. E acreditamos que até nestes momentos difíceis, o que vai fazer que ajude o agricultor a sair destas dificuldades, destes enfrentamentos de crise, é a tecnologia”, argumentou Francila.
“A nossa responsabilidade é tentar trazer para o agricultor o máximo possível de ferramentas que possam ajudá-lo no campo para que ele tenha condições de manejar o que é possível manejar, o que está no controle dele.”
Por meio de gráficos, Oliveira fez uma ampla explanação em que enfatizou os ganhos que as tecnologias da Bayer e de outras empresas de sementes promoveram para a expansão em produtividade e produção da soja no país. Lembrou que em pouco tempo os produtores passaram de ter como opções 450 cultivares para mais de 2.700, e apenas para as lavouras gaúchas o salto foi de 48 para mais de 200.
“A tecnologia Intacta agrega valor para o agricultor. Antes de falar de preço, royalties, a biotecnologia traz valor”, disse. “Não é por acaso que de 85% a 90% da soja plantada no Rio Grande do Sul é com biotecnologia com patente válida, porque o agricultor reconhece o valor, entende que a biotecnologia traz valor e por isso opta”, acrescentou. “De toda a cesta de investimentos que o agricultor precisa fazer, a biotecnologia fica menor do que 4%.”
Baixar o preço
Os demais participantes do encontro fizeram uma série de contrapontos. O deputado Weber sugeriu à empresa reavaliar a cobrança aos produtores que usam a tecnologia da empresa estabelecida hoje em cerca de R$ 280 por hectare para R$ 120,00 neste momento em que os agricultores gaúchos enfrentam as graves dificuldades financeiras.
Situação que poderia ser estendida a outros períodos de perdas para o clima. “Se a gente quer trabalhar em parceria, tem que dividir o bônus e o ônus”, sugeriu. Também questionou quando vencem as patentes, propôs uma porcentagem de 1% a 2% de cobrança na venda da safra, e não 7,5% como é hoje, e levantou a questão se as tecnologias não estariam perdendo suas eficiências, entre outras indagações.
Entre as demais manifestações, o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Domingos Velho Lopes, disse reconhecer a importância da pesquisa e tecnologia da empresa e seus impactos na produção agrícola, mas entendeu não ser “a pauta do momento”, mas sim a discussão é a metodologia e o preço cobrado pela tecnologia. “Nós hoje achamos este valor excessivo, mesmo reconhecendo a qualidade da biotecnologia”, lembrou.
Já o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS(Fetag-RS), Eugênio Zanetti, lembrou que entidade já entrou com três ações na Justiça contestando os royalties desde 2012. E também questionou a eficácia das tecnologias oferecidas pelos produtos e pagas pelos agricultores, justamente em épocas de perdas para o clima. “Todos os elos da cadeia estão ficando com seus lucros, menos o produtor”, lamentou.
