Rural

Seguro paramétrico: mais facilitado e mais barato

Nesta modalidade de seguro agrícola é o dono da lavoura que define uma série de parâmetros para a proteção

O produtor pode escolher o risco, como seca, calor, frio ou chuva e o nível desse risco onde gostaria de começar a ser indenizado
O produtor pode escolher o risco, como seca, calor, frio ou chuva e o nível desse risco onde gostaria de começar a ser indenizado Foto : Matheo Marques / Arquivo Pessoal / CP

Em tempos incertos para cultivos agrícolas visto o comportamento climático, sobretudo para as lavouras da agricultura gaúcha, o seguro agrícola se torna uma ferramenta ainda mais fundamental. No entanto, por vezes o mecanismo de segurança se torna um tanto oneroso e até complicado ao produtor, visto uma série de exigências burocráticas.

Então, o chamado seguro paramétrico pode ser uma alternativa ao dono da lavoura, pois sua contratação não impõe comprovação direta, por parte do segurado, de perdas na lavoura, mas sim são definidos indicadores previamente, como a quantidade de chuva, temperatura e vento, entre outros critérios.

O seguro paramétrico digital é mais eficiente, pois o produtor define o valor da indenização e o risco a ser protegido, enquanto a seguradora monitora os índices climáticos por satélite, para o pagamento automático em caso de perdas. E, como todo o monitoramento é remoto e sem perícia in loco, os custos são menores, e o agricultor pode ajustar o valor da cobertura conforme o seu orçamento, o que o torna mais eficiente.

Digital

E todo o procedimento é totalmente digital, a contratação online, preço instantâneo, não há nenhuma obrigação contratual e, com sinistro confirmado por dados de satélite, a indenização é paga via Pix. “Um experiência que transforma o seguro em algo finalmente simples e justo”, argumenta Paula Caldeira, sócia-fundadora da Guarda, startup de tecnologia que oferece esta proteção contra eventos climáticos extremos a cooperativas e produtores.

“O setor que mais cresce no uso de seguros paramétricos é o agronegócio, especialmente em regiões vulneráveis à variabilidade climática, como o Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, onde eventos extremos como seca e excesso de chuva têm se tornado mais frequentes, cresce o interesse de produtores que buscam alívio rápido no caso de uma catástrofe, ponto em que o seguro tradicional costuma falhar”, destaca Paula.

Além da agricultura, o modelo vem sendo adotado globalmente por setores de energia, turismo e infraestrutura, por oferecer transparência e rapidez em contextos de alto risco climático, conta.
Paula explica que o contrato é customizado em tempo real.

Escolha do produtor

“O produtor escolhe o risco (seca, calor, frio ou chuva) que o preocupa, o nível desse risco onde gostaria de começar a ser indenizado (por exemplo, a partir de dez dias de seca) e o valor da indenização (por exemplo, uma saca/hectare para cada dia de seca que passar dos dez dias), por estádio da cultura, como emergência, vegetativo, florescimento ou enchimento do grão”, descreve.

“Esses parâmetros são definidos com base em dados de alta resolução, como a umidade do solo medida por satélites Planet, com precisão espacial média de nove hectares”, acrescenta.

Paula lista como vantagens do seguro paramétrico o valor mais acessível, além da simplicidade e da rapidez, afinal, a contratação exige apenas o RG do produtor e o comprovante de residência. E ela considera a ferramenta bastante inclusiva.

“Qualquer cultura, em qualquer condição pode contratar, inclusive áreas fora do ZARC, cultivares não certificadas e soja pós-cana, que o seguro tradicional normalmente não cobre”, acrescenta. “O produtor escolhe sua indenização e quanto quer pagar.

A contratação é rápida, com recebimento de preço e proposta instantânea pelo site no WhatsApp do produtor. A indenização é automática, o sinistro é capturado via satélite o produtor é notificado por WhatsApp assim que o gatilho é atingido, recebendo o Pix em até 30 dias”.

Desafios

O principal desafio do seguro paramétrico é o chamado “risco de base”, quando o evento climático que aciona a indenização não representa exatamente a perda real do produtor. “Para reduzir essa diferença, a Guarda utiliza modelos agronômicos calibrados por estádio fenológico e dados satelitais de alta precisão, capazes de identificar com muito mais fidelidade o impacto do clima sobre a lavoura”, descreve.

“Além disso, a cobertura é focada em eventos climáticos extremos e altamente correlacionados com perda de produtividade ou qualidade, como seca durante o enchimento do grão ou chuva excessiva na colheita. Isso garante que o seguro seja acionado apenas em situações em que o prejuízo é efetivamente significativo, tornando o produto mais justo, técnico e eficiente”.

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