Rural

Seguro rural pode premiar produtores que adotam práticas sustentáveis

Seguradoras ampliam incentivos para quem investe em manejos como plantio direto e rotação de culturas

Gerente executivo de Seguros Rurais da BrasilSeg, Daniel Nascimento, falou sobre a preocupação ambiental
Gerente executivo de Seguros Rurais da BrasilSeg, Daniel Nascimento, falou sobre a preocupação ambiental Foto : Léo Barrilari/ Divulgação /CP

Produtores rurais que investem em práticas sustentáveis e adotam níveis mais elevados de manejo podem conquistar condições mais vantajosas no seguro agrícola, incluindo descontos na taxa, à medida que o mercado segurador consegue incorporar essas informações na precificação do risco. Durante o World Climate Summit São Paulo, o presidente da Comissão Rural da Fenseg e gerente executivo de Seguros Rurais da BrasilSeg, Daniel Nascimento, afirmou que seguradoras já oferecem condições diferenciadas para agricultores que utilizam práticas como plantio direto, plantio escalonado, irrigação e rotação de culturas, mas destacou que o principal desafio é estruturar bancos de dados que permitam medir esses ganhos de resiliência e precificar o risco de forma mais individualizada.

“Hoje já tem critérios de aceitação. Todas as seguradoras já têm sua precificação de risco. Então, para quem tem um plantio direto, plantio escalonado, uma irrigação, uma rotação de cultivos, a seguradora tem como conceder condições diferenciadas”, explicou. Segundo ele, as informações coletadas, através de análise de solo e sensoriamento, são base para dar bônus ou descontos ao produtor segurado. “Para, de fato, tratar diferente e não igual todo mundo”, afirma.

O movimento das seguradoras acompanha uma agenda mais ampla do sistema financeiro para incorporar os impactos das mudanças climáticas na avaliação de riscos e na concessão de crédito. No mesmo evento, a gerente de sustentabilidade do Banco Central, Viviane Torinelli, afirmou que a autoridade monetária visa ampliar as exigências para que instituições financeiras adotem metas e indicadores mais detalhados na gestão de riscos climáticos, socioambientais e ambientais, com o objetivo de tornar essas informações mais transparentes, comparáveis e incorporadas às decisões de crédito.

“A missão de um banco central é garantir o poder de compra da nossa moeda, que você possa comprar daqui um ano, dois anos, o que você pode comprar hoje. É um desafio no nosso país que já teve uma hiperinflação garantir um sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo e fomentar o bem-estar econômico da sociedade”, salientou.

Ela destacou que eventos como quebras de safra provocadas pela seca aumentam a demanda por recursos públicos, especialmente em estados do Sul, como o Rio Grande do Sul, e impactam diretamente o sistema financeiro, sobretudo o crédito. Segundo Viviane, o Banco Central tem a convicção de que os riscos climáticos se refletem em riscos econômicos e, consequentemente, em riscos financeiros e de crédito.

World Climate Summit

O World Climate Summit São Paulo reuniu, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), investidores, organismos multilaterais, formuladores de políticas públicas e lideranças empresariais para discutir mecanismos de financiamento relacionados à agenda climática.

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