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Seleção de Vinhos de Farroupilha reúne especialistas para avaliar amostras de 14 vinícolas

Concurso promovido pela Afavin chega à sua 21ª edição com recorde de 277 rótulos degustados às cegas; resultado sai em 11 de setembro

Avaliação às cegas do concurso ocorreu nesta terça e quarta-feira, com 44 jurados
Avaliação às cegas do concurso ocorreu nesta terça e quarta-feira, com 44 jurados Foto : Adroir da Silva / Afavin / Divulgação / CP

A Serra Gaúcha recebeu nesta terça, 4, e quarta-feira, 5, a análise sensorial da 21ª Seleção de Vinhos de Farroupilha, concurso promovido pela Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin). A edição deste ano registrou os maiores números da história do evento, com 277 amostras inscritas por 14 vinícolas do município.

As degustações ocorreram no Salão da Comunidade Santos Anjos, no 4º Distrito de Farroupilha, e reuniram um corpo de 44 jurados formado por enólogos, especialistas, jornalistas e representantes de instituições do setor. Todas as amostras foram avaliadas às cegas, identificadas apenas por códigos, sem qualquer referência a marca ou produtor. Os vencedores serão conhecidos em 11 de setembro, durante o jantar de premiação.

“Neste ano de 2026, nós tivemos o recorde de amostras”, afirma Natália Taffarel, presidente da Afavin e sócia, junto da família, da vinícola Cave Antiga. Segundo ela, o concurso proporciona aos produtores a oportunidade de submeter os vinhos a um corpo técnico de jurados, funcionando como uma ferramenta de monitoramento de qualidade.

“Há 21 anos a gente faz a Seleção de Vinhos de Farroupilha, e isso é muito importante para termos uma melhora constante e um aprimoramento não só do manejo de vinhedos, mas também da elaboração dos nossos vinhos e espumantes”, diz.

Para quem acompanha o concurso há muitos anos, a evolução dos rótulos é nítida. “Aquilo que nos primeiros concursos se detectava, alguns defeitos nos vinhos, agora praticamente não existe. A nossa dificuldade agora está em buscar virtudes”, avalia o engenheiro químico Gilberto Cargnel, especialista em vitivinicultura com mais de 30 anos de atuação e integrante do grupo de enologia da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV). Segundo o jurado, notas que antes ficavam em 86 ou 87 pontos hoje alcançam 90, 92 e até 94, nota que garante a tão almejada Grande Medalha de Ouro.

Seleção reuniu especialistas nesta semana para avaliar a produção de 14 vinícolas da capital nacional das uvas moscatéis | Foto: Adroir da Silva / Afavin / Divulgação / CP

A Seleção de Farroupilha contempla 24 categorias, entre vinhos de mesa, finos, de guarda, espumantes, sucos e até mesmo licorosos. A edição deste ano estreou quatro delas: Espumante Moscatel Natur, Extra Brut, Brut e Demi-sec, vinho elaborado sob mínima intervenção enológica e Brandy de Moscato. Serão premiadas até 30% das amostras de cada categoria, desde que atinjam ao menos 87 pontos em uma escala de 100, conforme normas internacionais.

As distinções incluem Grande Medalha de Ouro, a partir de 94 pontos, Medalha de Ouro, entre 90 e 93,9, e Medalha de Prata, entre 87 e 89,9. A Afavin também concederá o reconhecimento Moscatel Premium ao vinho ou espumante de maior pontuação entre os elaborados com uva Moscato.

A avaliação também recebeu a visita do prefeito de Farroupilha, Jonas Tomazini, que prestigiou o evento e destacou a importância do encontro para a valorização da produção local.

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Reconhecida como capital nacional das uvas moscatéis, Farroupilha detém desde 2015 a Indicação de Procedência (IP) para vinhos finos moscatéis, primeira do país dedicada exclusivamente à variedade. A área delimitada concentra o maior volume de produção de uvas moscatéis do Brasil, com cerca de 50% da casta no país, e tem como destaque a Moscato Branco, tradicional da região desde os anos 1930 e não encontrada em outros países.

A associação estuda agora o próximo passo. “Estamos em busca da nossa denominação de origem, que já está em estudos e que nos próximos anos com certeza teremos o orgulho de apresentar ao mercado”, afirma Natália Taffarel.

Entre as participantes do concurso estão produtores de perfis distintos, como a Cooperativa Vinícola São João, fundada em 1931 e com cerca de 480 associados, a Adega Chesini e a Cave Antiga, de gestão familiar, a Casa Perini, de produção em larga escala, e a Monte Astral, dedicada a vinhos de mínima intervenção.