Um dos temas mais abordados pelas empresas expositoras da Agrishow, feira realizada em Ribeirão Preto, São Paulo, nesta semana, é a importância da sustentabilidade, não apenas a ambiental, mas também a econômica, possível de ser melhorada pelos investimentos em diferentes tecnologias – sobretudo pelo apoio da digitalização e da conectividade.
A Valley, que tem quase metade do mercado de pivôs no país, destacou como a ferramenta representa economia ambiental pela maior produção agrícola no mesmo espaço, sem a necessidade de explorar novas áreas, inclusive pela derrubada de matas. A adoção da tecnologia e de outras ampliaram a produtividade brasileira de uma tonelada de grãos por hectare em 1977, para quatro toneladas atualmente, o que evitou a abertura de 230 milhões de hectares para o mesmo volume de produção.
No entanto, o Brasil só irriga 6% da área de grãos, algo como 10 milhões de hectares, enquanto o potencial é de 55 milhões. Sobre este potencial, o diretor-presidente da empresa, Cristiano Del Nero, mencionou o que ele chamou de problema cultural dos produtores no Rio Grande do Sul, um estado com graves problemas com estiagens, não serem afeitos à irrigação, sendo que a maioria dos clientes da empresa em outras regiões do país é gaúcha de origem.
"Eles levaram a cultura da irrigação", descreveu, visto que o Estado foi pioneiro na utilização de pivôs e irriga 100%do arroz. Mesmo assim, o Rio Grande do Sul aumentou em 20% as compras da empresa em 2025 em comparação ao ano anterior, visto um empenho reforçado da empresa em convencer os agricultores sobre a tecnologia. "Tem demanda para 200 a 300 pivôs por ano", avalia a potencialidade gaúcha, ainda que no momento o problema seja econômico para o investimento.
Já a Bayer apresentou toda a sua plataforma de agricultura digital, que possibilita ao produtor um acompanhamento mais preciso não apenas do cultivo como um todo em sua propriedade, mas de cada talhão de milho ou soja. São ferramentas que informam ao produtor as melhores ações e também intervenções nos diversos momentos do cultivo, de plantio, por exemplo, a melhor cultivar para determinado espaço, ao controle de invasoras e nematoides nas áreas específicas com presenças mais intensas. Toda a tecnologia da digitalização busca a customização de cada produtor e suas necessidades, assim possibilitando ganhos econômicos e também ambientais pela maior produtividade e redução de uso de insumos químicos.
Quanto à sustentabilidade econômica na atividade, um dos maiores problemas dos agricultores brasileiros no momento é a alta taxa de juros, que encarece as linhas de crédito para custeio de safras e também para investimentos em melhorias na propriedade, como aquisição de maquinário. Para facilitar a compra de tratores por pequenos e médios produtores, o governo do estado de São Paulo lançou o programa Pró-Trator, que subsidia os juros, de até 8 pontos percentuais da taxa, com valor individualizado de até R$ 50 mil e renda bruta anual do produtor de R$ 3 milhões - a trator com potência máxima de 125cv.
Neste programa, o Sicredi tem participação com 80% do programa paulista, com a concessão de crédito para 821 aquisições, ou o valor de R$ 146 milhões, o que representou aos agricultores economizar R$ 28 milhões pelo não pagamento de juros. "Ajuda o produtor no momento de crise pelo abate nos juros ", explicou Gilson Farias, gerente da Área de Crédito do Sicredi em entrevista na feira. "O Sicredi é referência no Pró-Trator no Estado de São Paulo."
