Intensificados por ventos fortes e ocorrência de granizo, os temporais registrados no Rio Grande do Sul na última noite e madrugada acarretaram transtornos e grandes prejuízos a produtores rurais. Na propriedade de 3 mil hectares do agricultor e pecuarista Nicolas Ottoni, no município de Santo Antônio das Missões, no Noroeste gaúcho, o granizo arrasou as lavouras de canola e aveia branca, que ocupam 400 hectares e 250 hectares, respectivamente, com perdas estimadas em pelo menos 80% da produção. A área semeada com milho, de 750 hectares, também foi atingida, e a produtividade prevista para o cereal deverá cair de 30% a 40%, calcula Ottoni.
Dono da Cabanha Agroottoni, que atua na seleção de animais das raças Angus e Brangus, Ottoni diz que a chuva também impactou áreas de pastagens e pivôs de irrigação. Seis construções da fazenda, entre casas e galpões, sofreram inundações e destelhamentos.
“Em torno de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões a gente estima ter perdido com esse temporal”, comentou o produtor.
“A região toda foi afetada. Onde eu ando aqui, estou vendo estrago. Pedra, ventania, destruição. Danos irreparáveis”, acrescentou.
Outro afetado é o agricultor Anestor Roque Santin Lazzari, que mantém uma propriedade de 2 mil hectares no distrito de Nhu Porã, em São Borja, no oeste do Estado. Por volta da meia-noite, a chuva acompanhada por ventos fortes derrubou um galpão que abrigava três colheitadeiras, seis tratores e três pulverizadores. A estrutura tinha 20 metros x 50 metros e, segundo o produtor, é avaliada em torno de R$ 1,5 milhão.
A chuva intensa também acarretou danos às plantações de trigo e canola da fazenda. Lazzari plantou nesta safra de inverno 200 hectares e 1 mil hectares com as duas culturas, respectivamente, e planeja iniciar a colheita na metade de outubro. A produtividade esperada, de 30 sacas de canola e 70 sacas de trigo por hectare, porém, não deve se concretizar.
“A canola quebra, deita, e o trigo também. Nessa fase (de desenvolvimento), não se recupera mais. Principalmente a canola, que estava quase pronta para colher,”, lamentou o agricultor.
Na tarde desta terça-feira, ele aguardava a visita de um perito para calcular o prejuízo em termos financeiros. “O galpão tem seguro, mas o maquinário não. A gente não sabe se (com) as colheitadeiras (danificadas) vai ter condições de efetuar a colheita”, disse Lazzari.
