Rural

Viticultura gaúcha ganha novo programa de boas práticas

Certificação agrega credibilidade à produção e pode trazer ganhos econômicos aos produtores, diz entidade

Ação abrange procedimentos adotados em todas as etapas da produção de uvas
Ação abrange procedimentos adotados em todas as etapas da produção de uvas Foto : Siderlei Ditadi / Divulgação / CP

O Instituto de Gestão, Planejamento, Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do RS (Consevitis-RS) apresenta o novo Programa de Boas Práticas Sustentáveis na Viticultura. A iniciativa busca incentivar a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, promover a segurança dos alimentos, fortalecer a gestão das unidades produtivas e contribuir para a competitividade da cadeia produtiva da uva destinada ao processamento no Rio Grande do Sul, por meio de consultorias e certificação das propriedades.

Segundo o Consevitis-RS, o programa surgiu a partir de uma demanda dos próprios produtores identificada no Diagnóstico dos Viticultores da Serra Gaúcha, pesquisa realizada com o apoio dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. A proposta foi aprovada pelo Grupo de Trabalho de Viticultura, do qual fazem parte diferentes instituições e profissionais ligados à viticultura, como Embrapa, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e Emater/RS-Ascar.

A certificação tem como objetivo reconhecer que a propriedade atende a critérios estabelecidos de boas práticas no âmbito da segurança dos alimentos, da saúde e segurança dos trabalhadores, da sustentabilidade ambiental, da rastreabilidade da produção, do manejo da propriedade e demais aspectos aplicáveis.

“Para o produtor, ela representa uma oportunidade de organizar e aprimorar os processos de produção, reduzir riscos, aumentar o controle sobre as atividades e demonstrar o compromisso com a qualidade, a segurança, a sustentabilidade e a responsabilidade na produção”, destaca o analista de Agronomia do Consevitis-RS, Gabriel Almeida da Silva. "Além disso, acresce credibilidade ao trabalho já realizado, demonstrado por meio de uma avaliação independente", acrescenta o analista.

Para a cadeia produtiva, a certificação contribui para a construção de uma base comum de boas práticas, fortalecendo a confiança entre produtores, empresas, instituições e consumidores. Também permite que a vitivinicultura avance de maneira mais coordenada, criando referências para a melhoria contínua da produção e valorizando a origem e a qualidade da uva produzida no Rio Grande do Sul.

Qualidade e segurança

As Boas Práticas Agrícolas são um conjunto de cuidados e procedimentos adotados pelo produtor em todas as etapas da produção para produzir com mais segurança, qualidade, eficiência e responsabilidade. Alguns exemplos são o registro das atividades no caderno de campo, o uso correto de produtos fitossanitários, a regulagem e manutenção dos equipamentos, o cuidado com a água e o solo, a higiene durante a colheita, a correta destinação das embalagens e resíduos e a capacitação dos trabalhadores.

“Os benefícios são diversos, como reduzir riscos de contaminação, preservar os recursos naturais, proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores, reduzir perdas e melhorar a organização e a rastreabilidade da propriedade. Isso também contribui para aumentar a confiança de quem compra a uva e, consequentemente, fortalece toda a cadeia da vitivinicultura”, explica Gabriel.

A iniciativa é destinada a viticultores gaúchos que produzem uvas para processamento industrial. A adesão é gratuita e será realizada via edital de chamada pública publicado pelo Consevitis-RS. O projeto-piloto será realizado com cinco entidades âncoras e 40 produtores.

O Programa foi estruturado em alinhamento à Portaria MAPA nº 876/2025, com o objetivo de futuramente buscar seu reconhecimento oficial no Ministério da Agricultura e Pecuária.

“Esse reconhecimento poderá permitir que os produtores certificados sejam integrados aos mecanismos do Agro Brasil + Sustentável, ampliando a comprovação das Boas Práticas e da sustentabilidade da produção”, aponta Gabriel.

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