As inflamações são respostas naturais do organismo a um corpo estranho e funcionam como um mecanismo de defesa, para reparar danos e expulsar corpos estranhos. Elas acontecem quando o corpo entra em estado de alerta para combater alguma ameaça a saúde. Nesse processo, o sistema imunológico é acionado e o corpo libera substâncias químicas e aumenta o fluxo sanguíneo para a área afetada até que ocorra a cicatrização.
Quando a conclusão desse ciclo não acontece, o organismo fica constantemente combatendo esses estímulos, o que causa fadiga, indisposição, dificuldade na recuperação muscular e a piora do padrão de sono constantes. Esses casos são chamados de inflamações crônicas e pelo fato de, muitas vezes, os sintomas se apresentarem de forma gradual, muitos pacientes convivem com uma qualidade de vida reduzida sem perceber a ocorrência da condição.
Sintomas e gatilhos
Além dos sinais dados pelo corpo referentes ao cansaço, alterações intestinais, lesões de pele e dores articulares podem ser indicativos da condição. Isso ocorre porque o organismo se mobiliza para atender a região danificada e, em consequência, as demais funções ficam prejudicadas.
Conforme o que explica o médico especialista em nutrologia, William Rutzen, há muitos hábitos que favorecem o desequilíbrio imunológico e resultam no organismo entrando em estado constante de alerta. “Entre os principais fatores envolvidos nesse desequilíbrio estão alimentação inadequada, excesso de peso, privação crônica de sono, sedentarismo, estresse psicológico, infecções recorrentes e hábitos incompatíveis com a nossa biologia”, explica.
Por isso é importante que o paciente mantenha hábitos saudáveis de forma consistente, com sono regular, alimentação balanceada e prática de atividades físicas. Esses hábitos aumentam a funcionalidade do organismo.
Sono e recuperação
A privação de sono pode ser um gatilho para inflamações crônicas, já que afetam diretamente o processo a recuperação do organismo. A falta de um sono de qualidade desencadeia no desequilíbrio hormonal e imunológico, dificultando o processo de reparação e recuperação. “Estima-se que as pessoas durmam, em média, quase 2 horas a menos daquilo que seria o recomendado. Dormir mal mantém o corpo em um estado de alerta hormonal e imunológico, dificultando processos de reparação e recuperação”, afirma o especialista.
O estresse psicológico também pode elevar a possibilidade de uma reação inflamatória ou intensificar os sintomas em casos da condição existente, já que também é um potente gatilho inflamatório para uma condição em que o organismo entra em estado de alerta.
“Isso acontece porque emoções crônicas como ansiedade, sobrecarga mental e estresse sustentado alteram hormônios ligados ao sistema imunológico, favorecendo um ambiente inflamatório persistente”, afirma. A intensificação dessas emoções tende a acentuar os sintomas da inflamação a longo prazo.
Alimentação natural
De acordo com o especialista a atenção com a alimentação é uma potente aliada no combate às inflamações crônicas, assim como a falta dela, pode provocar a condição. Mas nem toda a dieta funciona da mesma forma para todos os pacientes, por isso é importante o acompanhamento médico.
Diferente do senso comum, não existem alimentos invariavelmente anti-inflamatórios, a dieta mais adequada para cada indivíduo é definida com base nas potencialidades e deficiências de cada organismo. “Nem todo alimento afeta todas as pessoas da mesma forma. Existem pacientes extremamente sensíveis a determinados gatilhos alimentares, enquanto outros toleram esses mesmos alimentos sem grandes repercussões. Por isso, o protagonismo do paciente é fundamental para identificar padrões pessoais de piora e melhora, fazendo testes de forma organizada e orientada”, adverte o médico.
Apesar de a definição de dieta ser muito pessoal, evitar o consumo de alimentos ultraprocessados aparece de forma unânime no combate a inflamações. Esses alimentos sobrecarregam o organismo, potencializando inflamações no processo de digestão, já que apresentam compostos químicos nocivos a flora intestinal.
Por outro lado, “alimentos naturais, com boa oferta de proteína, minimamente processados, ricos em nutrientes e compatíveis com a fisiologia humana” aparecem como uma alternativa melhor tolerada pelo corpo, conforme defende o especialista.
Qualidade de vida consistente
Rutzen defende que a redução dos sintomas e a prevenção das inflamações passam pela adoção de um estilo de vida consistente com a construção de uma rotina biologicamente coerente com o funcionamento do organismo. A melhora da qualidade de vida pode, inclusive, reduzir a necessidade de medicamentos e aumentar a capacidade física.
“Limpar a alimentação, proporcionar um ambiente favorável a um sono reparador, adaptar a atividade física, controlar o estresse e, muito importante, eliminar o excesso de peso quando necessário. O objetivo não é apenas tratar sintomas, mas reconstruir um ambiente de saúde dentro do próprio organismo”, defende o médico, que também é autor do livro “Desinflamar para viver melhor”.
Para o especialista, o caminho para evitar a ocorrência e a cronificação das inflamações são pequenas escolhas diárias, que podem prejudicar ou auxiliar a ação imunológica adequada do corpo. A prática de atividades físicas regularmente também ajuda a controlar inflamações, principalmente para quem convive com doenças autoimunes. “A atividade física também ajuda a modular o sistema imunológico, pois melhora a composição corporal, reduz a inflamação e aumenta a funcionalidade do organismo”, explica.
O conjunto dessas práticas de forma regular está diretamente ligada ao equilíbrio hormonal e metabólico e deve ser tratado como parte importante do tratamento e da prevenção. Mesmo que os sintomas geralmente se manifestem de forma gradual, há exames laboratoriais que identificam o estado inflamatório crônico, indicados pelo profissional da saúde, quando há a suspeita da condição.