Verão

Mais de 200 tartarugas marinhas foram encontradas mortas no Litoral Sul

Muitas morreram afogadas, presas em redes de pesca

Segundo o Nema, os encalhes estão relacionados à pesca realizada no local
Segundo o Nema, os encalhes estão relacionados à pesca realizada no local Foto : Lucas Amorelli / SOS Oceano / CP

Mais de 200 tartarugas marinhas foram encontradas mortas, no trecho que separam a Lagoa do Peixe, em Mostardas, e o Chuí somente no mês de janeiro. A diretora do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), Maria Carolina Contato Weigert, disse que a organização não governamental (ONG) realiza o monitoramento mensal do encalhe de animais marinhos há mais de 20 anos, sempre no mesmo trecho.

"Historicamente há encalhes todos os meses. Somente em janeiro foram mais de 200, mas o número oscila muito de acordo com as atividades realizadas na costa", relatou. Maria Carolina disse que a atividade pesqueira está relacionada ao problema. "Como as tartarugas marinhas precisam subir até a superfície para respirar, quando se enrolam em redes de pesca acabam se afogando", lamentou.

Ela enfatizou que a captura desses animais pelas redes ocorre de forma acidental, pois também prejudica a atividade pesqueira. "Quando o animal fica preso na rede, ele ocupa um espaço e acaba, em muitos casos, estragando o material de trabalho dos pescadores, pois se debatem. Apesar de haver grande mortandade pela atividade, o pescador não é o culpado, pois não tem intenção", observou.

Para conseguir amenizar o problema, o Nema está há algum tempo tentando criar uma unidade de conservação e uma área de preservação ambiental no Parque Nacional do Albardão. "Estas duas unidades vão proteger as tartarugas, e as toninhas, que também são mamíferos marinhos em extinção, que também são capturados pela pesca", destacaou.

Para Maria Carolina com as duas unidades será possível proteger a vida marinha na área. "A região é um berçário, onde peixes, tubarões e arraias se reproduzes, por isto é muito importante para a manutenção do equilíbrio ecológico. Além disso temos as espécies migratórias que se alimentam em locais como a praia do Cassino", completou. Ela confirmou que os estudos já foram realizados e entregues às autoridades federais.

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