Decoração: como escolher tendências que não saem de moda

Entenda como diferenciar modismos passageiros de tendências de decoração que valorizam os ambientes e acompanham as mudanças na forma de morar

Lugares do ambiente onde tendências são aplicadas também faz diferença
Lugares do ambiente onde tendências são aplicadas também faz diferença Foto : Homedock / Divulgação / CP

Saber se uma tendência de decoração tem grandes chances de durar requer observar o que está por trás da estética. São os hábitos do lar que indicam se as escolhas de design são adequadas para o ambiente e para quem vive nele.

Enquanto a moda passageira depende de combinações visuais muito específicas e pode se tornar rapidamente reconhecível, uma escolha duradoura vai além, e costuma responder a mudanças na forma de morar, resolver necessidades ou permitir diferentes interpretações. No design de interiores, a diferença aparece quando uma escolha continua fazendo sentido mesmo depois de sair das vitrines, dos catálogos e das redes sociais.

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A funcionalidade traz uma das pistas mais consistentes. Móveis multifuncionais, peças modulares, soluções de armazenamento e objetos adequados a diferentes tamanhos de imóveis acompanham transformações concretas da vida doméstica. O mesmo acontece com materiais que admitem diferentes usos e acabamentos, como madeira, pedra, vidro, metal e fibras naturais, que podem reaparecer em novas proporções e combinações.

A CEO da Homedock, e-commerce de móveis e soluções para a casa, Daniela Costa, indica que a capacidade de adaptação da tendência indica se ela tem ou não potencial para durar. “Uma tendência ganha força quando consegue entrar em casas diferentes sem obrigar todo mundo a reproduzir o mesmo ambiente”, afirma. “Quando a ideia pode ser adaptada ao tamanho do imóvel, à rotina e ao gosto de quem vive ali, a chance é bem maior de ela permanecer relevante”, completa Daniela.

Algumas escolhas recentes ajudam a entender os dois lados. Letreiros de neon com frases, estampas tropicais em excesso e ambientes com uma única cor tiveram períodos de forte exposição e ficaram associados a determinadas fases da decoração, embora ainda sejam utilizados. Já a madeira escura, superfícies brilhantes, formas curvas ou cores intensas conseguem retornar em diferentes momentos porque permitem novas interpretações e não dependem de uma composição única.

O lugar em que a tendência entra em casa também influencia em sua duração. Uma cor muito marcada em uma almofada ou luminária permite atualização rápida, mas se aplicada a um revestimento de grande área, à marcenaria completa ou a uma bancada, a decisão dificulta mudanças. “Quanto mais trabalhoso e difícil for substituir algo, maior deve ser a atenção à capacidade daquele material, cor ou acabamento de conviver com mudanças futuras no restante da decoração”, aponta a CEO da Homedock.

“Antes de comprar uma peça porque ela aparece em todos os lugares, vale imaginá-la fora da composição. Se ela continua interessante pela função, qualidade e relação com o restante da casa, a decisão tende a ser mais acertada”, ressalta a executiva.

A durabilidade do design e da decoração escolhidos não significa optar somente por tons neutros ou móveis discretos. Uma peça pode permanecer por décadas, desde que os demais elementos do ambiente não dependam, todos, da mesma referência visual. Nesses casos, qualquer mudança exige a revisão do conjunto inteiro, deixando o espaço mais vulnerável ao envelhecimento estético.

O que deve guiar ambientes e móveis em 2027

A diretora criativa, pesquisadora de tendências e cores e jurada do Prêmio Salão Design Bruna Galliano acredita que o movimento que deve marcar o próximo ano não é uma cor específica, mas uma postura: a autenticidade. Para a pesquisadora, o que está por vir é um maximalismo mais elegante, diferente do que o mercado viu há duas décadas. Ela aposta em uma reação ao que chama de “pasteurização” do mundo do design.

Depois de anos de projetos dominados por brancos, beges e cinzas aplicados quase como fórmula, o setor criativo se aproxima de propostas que buscam evidenciar mais personalidade. “Estamos entrando em um momento de reação”, afirma Bruna. “Um desejo de voltar a criar com personalidade, sem a necessidade de parecer com tudo o que já existe”, destaca a pesquisadora de tendências, acrescentando que vê a indústria moveleira acompanhando esse movimento, com produtos cada vez mais autorais e carregados de identidade.

Para a pesquisadora, o uso de cores como branco, bege e cinza precisa ser revisto. “Amo todas essas cores. O que questiono é o uso sem intenção”, reforça, ao se referir às paletas neutras que dominaram o mercado nos últimos anos.