Instituído pela ONU em 2014, o Dia do Empreendedorismo Feminino é celebrado dia 19 de novembro como incentivo às mulheres que lideram seu próprio negócio. A realidade dessas donas de micro, pequenas e grandes empresas vem se transformando ao longo dos anos. A pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios 2024, realizada pelo Instituto RME (Rede Mulher Empreendedora) entrevistou 1082 mulheres e revelou que 16% delas residem na região Sul do país.
Com o tema "Economia do cuidado: impactos na configuração da imagem que as empreendedoras têm de si e como isso repercute nas oportunidades dos seus negócios", a pesquisa, que está em sua 9ª edição, revela que 73% das empreendedoras são mães, dentre essas, 37% são mães solo.
“Desde 2016 nós fazemos essa pesquisa anualmente. Um ponto de destaque: 73% das empreendedoras são mães e mais de 68% afirmam que os filhos vieram antes dela ser empreendedora, o que mostra, claramente, muita resistência no nosso mercado de trabalho em aceitar uma mãe enquanto profissional. Nestes casos, o caminho que resta é o do empreendedorismo”, explica a empreendedora Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME.
No que se refere à idade, 59% das empreendedoras têm entre 30 e 49 anos, e 52% possuem ensino superior. No entanto, enquanto 61% das mulheres brancas têm ensino superior, apenas 44% das pretas e pardas atingem esse nível de educação. Esse recorte de cor mostra também que 49% das empreendedoras pretas e pardas fatura até R$ 2.000 mensais, em comparação a 36% das mulheres brancas. Além disso, empreendedoras pretas e pardas enfrentam mais dificuldades financeiras, com 52% delas relatando dívidas, enquanto entre as brancas o índice é de 45%.
Motivações
A pesquisa revela que 4 a cada 5 mulheres se tornam mais confiantes devido à independência financeira, que é a principal motivação para o empreendedorismo. A flexibilidade de horário ocupa o segundo lugar entre os fatores mais importantes para as mulheres quando o assunto é iniciar seu próprio negócio (36,7%).
Entre as maiores dificuldades, elas apontam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o mais desafiador. Em relação à divisão de tarefas, “50% das empreendedoras não recebem nenhum tipo de ajuda na sua casa ou em seu negócio, isso mostra o quanto a empreendedora tem que dar conta de tudo e não é à toa que muitas sentem uma sobrecarga mental grande”, finaliza Ana. De acordo com as respostas, a mulher negra está mais sobrecarregada com suas funções diárias.
Beleza e alimentação são as principais áreas escolhidas entre elas para seus negócios. A pesquisa mostra também que 52,9% das entrevistadas acreditam que crédito para investir no negócio e parcerias com outras pessoas e empresas crédito para investimento ajudaria para a evolução de seus empreendimentos.
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Executada pela Ideafix Pesquisas Corporativas com metodologia quantitativa, a Pesquisa IRME 2024 tem uma base de 2.141 respondentes. São 94% das participantes brasileiras, enquanto 5% são estrangeiras, em sua maioria venezuelanas não refugiadas. A coleta de dados ocorreu entre agosto e setembro de 2024, utilizando metodologia híbrida, com auto preenchimento online, entrevistas presenciais e telefônicas.
Sobre a RME
A Rede Mulher Empreendedora (RME) existe desde 2010 e já impactou mais de 10,5 milhões de pessoas como uma rede de apoio a empreendedoras do Brasil. Criada pela empreendedora social Ana Fontes, visa apoiar mulheres na busca por autonomia econômica e geração de renda através do empreendedorismo, empregabilidade, programas de aceleração e acesso à capital. Em 2017, Ana decidiu ampliar seus objetivos e fundou o Instituto Rede Mulher Empreendedora, focado na capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade.
