Mulheres são 51% na indústria farmacêutica, mas minoria em CEO

Em posições de liderança, elas ainda se encontram em menor número; na alta hierarquia, a participação feminina é de apenas 26%

Mulheres com deficiência representam 1% dos cargos de liderança
Mulheres com deficiência representam 1% dos cargos de liderança Foto : Magnific / Divulgação / CP

As mulheres ocupam a maioria dos cargos na indústria farmacêutica, mas ainda são minoria em cargos de liderança. Em posições de CEO, a participação feminina alcança somente 26%, segundo a 4ª edição da Pesquisa Presença e Liderança Feminina.

Realizada pela Central de Pesquisas do Sindusfarma a pedido da LeaderShe, iniciativa que tem como objetivo ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança no setor, a pesquisa teve seus resultados apresentados durante o SheTalks 2026. Os dados indicam que a participação feminina ocupa 49% das posições de coordenação e supervisão, 45% das gerências e 44% dos cargos de diretoria, presidência e vice-presidência.

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Ao avaliar a presença feminina em cargos de liderança, da coordenação e supervisão à gerência, diretoria e presidência, o estudo mostra que o avanço não ocorre da mesma forma para todas as mulheres. As mulheres negras, pretas ou pardas, representam 27% do total de mulheres nas empresas pesquisadas, mas apenas 13% das mulheres em cargos de liderança. Mulheres acima de 50 anos correspondem a 11% do total feminino e 14% das lideranças, enquanto mulheres com deficiência representam 3% do total e apenas 1% das posições de liderança.

Para a co-presidente da LeaderShe Laurena Magnoni, os números reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre raça, etarismo, deficiência e outras barreiras que atravessam as trajetórias profissionais femininas. “Quando falamos em mulheres, não estamos falando de um grupo homogêneo”, pontua.

“Os dados mostram que raça, idade e deficiência ainda interferem nas oportunidades e nas trajetórias profissionais. A evolução da agenda de equidade passa por entender quem está conseguindo avançar, quem ainda encontra mais barreiras e o que as empresas podem fazer concretamente para mudar esse cenário”, afirma a co-presidente da LeaderShe.

Apesar disso, a pesquisa revela uma indústria que avançou na presença feminina e que apresenta resultados relevantes também nos espaços de decisão. As mulheres lideram 75% das áreas de Recursos Humanos, 66% de Compliance, 60% do Jurídico e 55% das Unidades de Negócio. Já no nível da presidência, a presença feminina é de 26%; em Finanças e Tecnologia, 22%; e em Vendas, 20%.

A presidente da LeaderShe e conselheira de administração, Heloisa Simão, celebra o momento, mas também aponta para o futuro: “Chegamos a um momento em que podemos celebrar uma presença feminina significativa na indústria farmacêutica. O próximo passo é garantir que esse avanço continue até os espaços máximos de decisão”, diz Laurena. “Não basta ter mulheres nas organizações: precisamos criar condições para que elas avancem, permaneçam, sejam ouvidas e exerçam plenamente sua liderança.”

Iniciativas de desenvolvimento

A pesquisa destaca o crescimento das iniciativas de desenvolvimento: aproximadamente 49% das empresas possuem programas voltados à formação de lideranças femininas. Isto representa um avanço de 13% em relação a 2025. Também chegou a 73% a parcela de empresas que oferecem benefícios adicionais dedicados às mulheres, como programas de apoio às gestantes, auxílio-babá e iniciativas para o retorno da maternidade.

Apesar disso, a incorporação da equidade à gestão ainda é limitada. Apenas 30% das empresas possuem objetivos ou metas específicos relacionados à presença de mulheres e ao desenvolvimento da liderança feminina, e somente 28% utilizam indicadores para mensurar esses avanços.