Cara leitora,
Você já parou para pensar que quase ninguém acredita que a vida pode mudar completamente em um segundo, até o segundo chegar?
Outro dia me peguei refletindo sobre isso, sobre o “amanhã eu falo”, “amanhã eu faço”, e por aí vai…
É impressionante como tem tanta gente deixando para amanhã a própria vida, a mensagem, o pedido de desculpas, o abraço, o “eu te amo”, adiando sonhos e tantas outras coisas, como se o amanhã fosse uma promessa garantida.
Lembrei-me de uma música que fez muito sucesso na década de 80. “O Amanhã”, um samba que se tornou um clássico da música brasileira.
Embora muita gente a associe imediatamente à voz de Simone, a canção nasceu como samba-enredo da Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador, no Carnaval de 1978. Posteriormente, a gravação de Simone, lançada nos anos 1980, levou a música para todo o Brasil.
O grande mérito da composição é que ela trata de uma pergunta universal, a ansiedade diante do futuro.
Mas o mais interessante é que quando a letra diz:
“Como será o amanhã?
Responda quem puder…”
Na verdade, não se trata de uma pergunta esperando uma resposta. É uma pergunta retórica que representa algo profundamente humano: a vontade de controlar aquilo que ainda não aconteceu. E talvez seja por isso que a gente insista em fazer dela uma pergunta de virada de ano, como se o calendário fosse o único momento em que o futuro nos assusta.
Apesar de ser frequentemente lembrada em réveillons e celebrações de Ano-Novo, “O Amanhã” não fala sobre a virada do calendário. Ela fala sobre qualquer “amanhã”: o próximo dia, a próxima fase da vida, o próximo capítulo da nossa história.
Impossível não refletir sobre o fato de que o amanhã realmente não é uma promessa garantida.
E talvez a pior parte seja perceber que muitas histórias acabam “sem um final” porque alguém achou que teria tempo, porque decidiu deixar para amanhã o que mais importava.
Tempo para voltar, tempo para responder, tempo para cuidar de si mesmo, tempo para viver a vida que vive dizendo que quer viver, mas deixa para tirar férias quando tiver muito dinheiro, sem se atentar ao fato de que, quando enfim tiver o dinheiro, talvez não haja mais saúde, e até vida.
Pare para pensar, a vida não te avisa quando está cansada de te esperar.
- O rancor não prende quem te machucou
- Errar é legal
- O que é abundância para você?
- Empurrar a desistência
É aquela coisa de começar a dieta na segunda, ou a academia, quando passamos anos dizendo “segunda-feira eu começo”, enquanto nosso próprio corpo e mente pedem cuidado. Deixar para amanhã parece inofensivo, mas o corpo, ao contrário da agenda, não aceita reagendamento.
Tem gente que deixa pessoas incríveis escaparem porque respondeu amor com ausência ou desculpas. Tem gente que vai dormir acreditando que amanhã resolve, sem imaginar que algumas oportunidades simplesmente não acordam junto com a gente. É assustador pensar nisso, mas pode ser libertador.
Porque quando você entende que o tempo não faz acordos com ninguém, você também para de brincar de deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Você fala, você liga, você tenta, ama, recomeça, vive. Aprende que, antes que reste apenas o vazio e o silêncio, é melhor fazer e ser hoje o que faria e seria “amanhã”.
E você, o que está deixando para amanhã, apostando que ele vai chegar?
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
