Cara leitora,
Dia desses fui impactada por um vídeo que me fez repensar o que é rancor: da Cléo Pires, filha do Fábio Jr e da Glória Pires, no palco com o Fábio Jr para cantar um dos maiores sucessos do cantor, “Pai”.
Mas ela não conseguiu. Ao entrar no palco ao tentar dizer a palavra “pai”, Cléo desabou e começou a chorar. Emocionante demais.
Fiquei com esse vídeo na cabeça, talvez por achar que “meninas” sempre têm uma relação muito especial com seus pais. Falo por mim: tenho a sorte, o privilégio de ter crescido com um pai extremamente amoroso.
Mas foi o vídeo do Fernando Segredo que realmente me inspirou a escrever.
Fernando Segredo é psicanalista e treinador mental, hoje uma das vozes mais ouvidas nas redes quando o assunto é comportamento humano e autossabotagem. Com mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e presença constante em podcasts, ele construiu seu espaço explicando, de forma direta e sem rodeios, como padrões inconscientes, raiva, culpa e ansiedade comandam decisões que a gente nem percebe estar tomando.
Ele tem viralizado ao comentar casos de repercussão nacional sob a ótica da psicanálise, provocando reflexões sobre cultura, comportamento e os automatismos emocionais que insistimos em ignorar até que explodam.
No vídeo, Fernando fala que aquele choro que me impactou não era saudade, e sim o perdão acontecendo ao vivo. Cléo sempre deixou claro que sentiu muita falta da presença do pai na infância e na adolescência, e do quão conturbado foi o relacionamento deles. E por trás daquela mulher, por trás daquela música, tinha uma menina que esperou bastante por aquele momento.
Quando magoados quando ainda somos crianças, muitos de nós crescemos achando que a mágoa é uma forma de fazer justiça. Vivemos em função, quase que como uma meta de vida, de fazer o outro pedir desculpas. E enquanto isso não acontece, sentimos que temos o direito de continuarmos feridos.
E aí é que ele traz uma colocação que achei genial e fiquei refletindo muito sobre. Fernando afirma que, quando vivemos com rancor, esse rancor não prende quem nos feriu, quem nos machucou. Esse rancor prende a nós mesmos.
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Quando Cléo cantou com o pai, ela não cantou cobrando, ela cantou perdoando. E perdoar não é você dizer que o que doeu não doeu, mas a mágoa, a revolta e a vingança só trazem sofrimento para você e para todo mundo.
O rancor não pune quem feriu, ele prende quem foi ferido. Você já pensou nisso?
Perdoar é renunciar ao apego à ferida. Perdoar é parar de cobrar do outro a dívida que talvez ele nem saiba pagar.
A paz não chega quando o outro muda, ela chega quando você solta. E talvez isso doa em você porque você também carrega uma cobrança antiga.
Tem gente que ainda espera um pedido de desculpas que nunca vem. Tem gente que fica revisitando a mesma mágoa todo dia e achando que está se protegendo, quando na verdade está se prendendo. Tem gente que confunde guardar rancor com ter dignidade.
Aí você precisa parar de se cobrar, você precisa parar para pensar que nem sempre precisa estar sofrendo por uma ferida que já podia estar cicatrizando. Temos que parar de carregar mágoa e rancor. E você? Já conseguiu perdoar suas mágoas ou ainda as arrasta como correntes?
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
