Cara leitora,
Você se permite errar? Ou é daquelas pessoas que cobra mais de si mesmo (a) do que dos outros? Explico, na coluna da semana passada eu errei. Quando escrevi sobre as Pontes de Madison, estava com Robert Redford na cabeça, que havia sido cotado para dirigir e atuar, porém quem dirigiu e atuou no filme foi o Clint Eastwood.
E o pior é que eu tinha certeza de que ele estava no filme, vi o rosto dele e cenas do filme em minha mente, mas na hora de escrever, mandei um Robert Redford. Mas aconteceu algo muito legal e até inesperado, várias pessoas vieram educadamente me corrigir, mas todas, sem exceção antes de pontuar a correção elogiavam não apenas a coluna em questão, mas as demais escritas.
Foi a primeira vez em quase dois anos que tive maior contato direto com meus leitores. Adorei. Vivemos em um mundo onde nos é exigido sempre a alta performance e quando não são os outros, somos nós nossos piores algozes, com o tanto que exigimos de nós mesmos.
São vários os estudiosos e pesquisadores que tratam do assunto, e todos chegam numa conclusão parecida por caminhos diferentes. Kristin Neff, professora americana que dedicou a carreira a estudar autocompaixão, descobriu algo meio contraintuitivo: quem se cobra demais não fica mais produtivo, fica mais ansioso e mais paralisado. A dureza com os próprios erros não rende disciplina, rende trava.
Já Tal Ben-Shahar, que deu a disciplina de psicologia positiva mais procurada de Harvard, tem um nome bonito para isso: troca o perfeccionismo, essa busca por um caminho sem falhas, pelo "otimalismo", que aceita erro e ajuste como parte do processo, não como desvio dele. E, aqui no Brasil, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva vê isso todos os dias no consultório: a autocobrança crônica é, segundo ela, um dos principais gatilhos de burnout e ansiedade na cultura da alta performance.
Ou seja: errar não é o problema. O problema é o que fazemos com o erro depois. E talvez seja por isso que a autocobrança excessiva vira, tantas vezes, questão de saúde mental e não só de desempenho. Ansiedade, exaustão, aquela sensação de nunca ser o suficiente.
Confesso que quando a primeira pessoa me mandou mensagem corrigindo minha gafe "quis morrer", achei que teria um troço. Corri para pesquisar, ter certeza, depois vieram outras pessoas pelo Instagram, e outras por e-mail.
O mais legal disso tudo é que nenhuma delas teve o intuito de me expor, de forma agressiva, todas foram absurdamente gentis e o fizeram em comentários simples ou no privado. O que me faz lembrar da máxima que aprendemos e que deveríamos, embora nem sempre seja usado, principalmente no mundo corporativo, que quando você for elogiar alguém deve fazê-lo em público e quando criticar deve fazê-lo em particular.
Foi assim comigo e com todas as mensagens carinhosas que recebi e que me fizeram ter a certeza, que até então nunca tinha tido, de que errar é legal! E foi legal no meu caso porque tive a oportunidade de trocar mensagens com tantos leitores interessantes que, se eu continuasse acertando, talvez jamais viessem falar comigo. Fiquei com vontade de me permitir, involuntariamente, errar mais de vez em quando. Quando foi a última vez que você se permitiu errar? E o quanto se cobrou depois?
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
