Cara leitora,
Você já ouviu falar do Nolt? O New Old Lifestyle Trend é um conceito de comportamento que descreve uma nova forma de envelhecer: mais ativa, curiosa e protagonista.
Sim, já escrevi que não estou "curtindo" envelhecer, mas não vou negar que esse novo fenômeno, tendência, modismo ou invenção do nada me deixou mais feliz, porque o Nolt parte da ideia de que a idade cronológica deixou de determinar o estilo de vida. Ufa!
É um termo novo, ainda não consolidado, mas ele vem sendo usado em discussões sobre consumo, longevidade e transformação cultural para nomear essa mudança muito visível, de que as pessoas maduras rejeitam os papéis tradicionais associados à idade.
Hoje, chegar aos 60 anos não significa necessariamente estar encerrando ciclos. Muitas pessoas têm energia, saúde, estabilidade financeira e desejo de continuar construindo novos projetos.
Ao mesmo tempo, a cultura da juventude permanente começa a dar sinais de esgotamento. A experiência, a inteligência emocional e o repertório acumulado voltam a ganhar valor.
O filme que assisti recentemente é uma metáfora perfeita. "Meu Nome é Agneta", uma produção sueca lançada no Brasil como "Meu Nome é Agneta", traz à história de uma mulher que passa exatamente por isso: essa mudança silenciosa.
Agneta não é a heroína tradicional das narrativas contemporâneas. Ela não está iniciando a carreira, nem "descobrindo quem é" aos vinte anos. Pelo contrário: ela está cansada, desempregada, vivendo uma rotina estreita. E, quando tudo indicaria um recolhimento social, ela faz o oposto: aceita um trabalho como au pair em outro país e reinventa a própria história.
- A dor e a delícia de ser o que é
- Mattering: a vida de quem você conseguiu tocar?
- O peso invisível das decisões que você toma todo dia
- A fé que te move...
A tendência Nolt surge exatamente nesse ponto. Não como negação do envelhecimento, mas como recusa da invisibilidade.
O mundo está percebendo que vitalidade não é sinônimo de juventude. Talvez o maior equívoco da nossa época tenha sido transformar a juventude no único passaporte para o futuro. A chamada economia prateada deixou de ser tendência para se tornar uma realidade demográfica e econômica.
O filme "Meu Nome é Agneta" nos lembra que a vida não se organiza em capítulos definitivos. Há quem descubra sua vocação aos 20, quem encontre o amor aos 60. Há quem atravesse fronteiras, mude de carreira ou comece tudo outra vez quando todos esperavam silêncio.
Agneta, no fundo, não é apenas uma personagem. Ela representa uma geração inteira que se recusa a aceitar que o melhor da vida já aconteceu. E me enquadro nesse grupo. Talvez por otimismo, esperança, e forma de enxergar a vida. Sim, vivi muitas coisas maravilhosas, mas ainda sinto que o melhor ainda está por vir. E talvez seja isso que me dê essa sede de viver que me faz pular da cama todos os dias para correr atrás da máquina.
Por muito tempo, fomos ensinados a acreditar que os jovens eram o futuro do País. Hoje, sabemos que esse mesmo futuro não pertence aos jovens nem aos maduros. Pertence aos curiosos. Aos que continuam aprendendo. Aos que insistem em permanecer em movimento.
Talvez envelhecer não seja aprender a desistir. Talvez seja, finalmente, conquistar a liberdade de escolher o que ainda merece ocupar espaço na nossa vida. E você? Está vivendo a idade que tem ou a idade que disseram que deveria viver?
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
