Cara Leitora,
Existe algo mais transformador do que se desafiar?
A vida é cheia de desafios. Alguns a gente escolhe. Outros chegam como tsunamis, virando tudo de cabeça para baixo sem pedir licença.
Há um ano, fui atravessada por um desses. Recebi um convite inesperado: escrever uma coluna para o jornal. Daria voz às minhas ideias, referências, sentimentos que antes moravam só no privado. Medo? Muito. Insegurança? Mais ainda. Mas aceitei.
“Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer…”
Rita Lee já passou por aqui, eu sei, mas impossível não cantarolar esses versos enquanto escrevo. Porque foi isso: uma mudança de rota, um grito de liberdade, um desafio aceito. Daqueles que fazem a gente lembrar quem é.
Quando foi a última vez que você se desafiou a fazer algo novo?
Sempre gostei de escrever. Sempre fui devoradora de livros, de histórias, de conversas. Hoje leio menos do que gostaria, talvez porque a escrita tenha ocupado esse espaço. A cada semana, uma página em branco. Um novo desafio. Um novo mergulho.
A ideia era uma coluna quinzenal. Mas acho que gostaram de mim. E logo ela virou semanal. Entrei em pânico: sobre o que eu escreveria toda semana? Como manter esse vínculo, esse ritmo, essa escuta? Até entender que é com você que converso. E é de você que vem a inspiração, nas trocas, nas mensagens, nas provocações, até nas publicações e comentários das redes sociais. Às vezes uma frase vira um tema, esse tema remete a um filme, uma música, uma história... e acredite, tudo isso me move.
Escrever é um exercício de coragem. É se expor sem rosto, sem áudio, só com palavras. Sim, tem minha foto ali, mas o que toca e o que me conecta com você é o texto. E escrever com verdade, em tempos tão ruidosos, é desafiador. Evitar polêmicas, escapar da polarização, buscar conexão em meio ao excesso de opinião, não é simples, confesso. Mas se fosse, talvez não tivesse tanta graça.
Desafiar-se é isso: arriscar-se no incerto. Colocar-se em movimento mesmo quando o medo sussurra para você ficar parado.
A vida muda de fase. Os 20, os 30, os 40. E, ah, os 50… posso falar com propriedade. A gente se permite mais, se importa menos com o que não importa, e dá valor ao que antes passava despercebido. A vida descomplica. Lembra da coluna sobre a preguiça que me consome? Talvez seja isso: aprender a desacelerar também é um desafio.
E, de repente, faz um ano que estamos aqui, juntos, toda semana. Nessa conexão silenciosa entre as suas mãos, seja no papel, no celular ou na tela do computador. E confesso: ainda sinto aquele frio na barriga. Porque o tempo voa, e mesmo assim, ele é o espaço onde a gente se reinventa.
- Despedidas emocionantes: entre o adeus e o até já
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Essa coluna de hoje é um agradecimento. A você, que lê. Que comenta. Que se identifica. Que me inspira. Que me desafia a continuar.
Mas também é um convite. Se eu consegui, com medo e tudo, talvez você também consiga.
Desafie-se.
Desafie-se a mudar. A recomeçar. A ser principiante em algo. A tentar mesmo sem saber o fim.
Desafie-se a dizer sim.
Porque às vezes, tudo o que a vida está esperando de você… é isso.
Um simples, e poderoso, sim.
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
