Cara leitora,
Outro dia, li algo que me atravessou com a sutileza de um soco bem dado:
“Uma das grandes descobertas que podemos ter na vida é quando percebemos que a forma como alguém nos trata não é um reflexo do nosso valor, mas da sua própria capacidade.”
Você já se sentiu menor depois do silêncio de alguém? Já achou que o problema era você, quando, na verdade, era o outro que simplesmente não sabia como dar conta?
Quantas vezes esperamos do outro aquilo que naturalmente ofereceríamos? Claro que, quando isso não vem, dói. E, algumas vezes, a dor se traveste de culpa. A gente se pergunta onde errou, o que fez de errado, o que poderia ter feito diferente. Mas, muitas vezes, não tem nada a ver com a gente. Tem a ver com o que o outro não consegue acessar em si.
E é aí que entra a validação emocional, ou a ausência dela. Quando não recebemos do outro o olhar que gostaríamos, corremos o risco de confundir a falta de resposta com falta de valor.
Uma virada de chave acontece quando passamos a olhar de forma diferente para rejeições, silêncios, críticas sutis ou relações que nos ferem. A ideia de que o comportamento alheio fala mais sobre quem o pratica do que sobre quem o recebe é, talvez, o começo de uma libertação. É quando a cura começa, deixamos de tentar caber, de nos encolher, de buscar aprovação em mãos alheias. Começamos, enfim, a nos tratar com mais gentileza. Começamos a praticar, de verdade, a validação emocional interna.
Porque, sim, tem gente que é maré baixa, e a gente fica achando que desaprendeu a nadar. Tudo errado.
Durante muito tempo, levei para o lado pessoal o silêncio, a frieza, o descaso, como se a ausência do outro denunciasse uma falha minha. A psicologia explica, mas não estamos aqui para uma sessão de análise. O que posso dizer é que, por muito tempo, achei que precisava me explicar melhor, amar mais, insistir mais, como se o problema fosse sempre eu.
Foi só depois de alguns tombos, de histórias que me atravessaram e de momentos em que precisei renascer e me reerguer, que percebi, o que o outro me dá diz mais sobre a capacidade dele de amar, sustentar, ficar, do que sobre o meu valor.
Passei a reconhecer o que em mim pode evoluir, e o que já está bonito assim, do jeitinho que é, sem precisar mudar por ninguém. A vida, com seus boletos, B.Os e silêncios, continua. E a gente aprende a coexistir com tudo isso, inclusive com nossas próprias faltas de validação emocional, que, aos poucos, aprendemos a suprir.
Esses dias, Luana Piovani, com toda sua polêmica, disse algo que me pegou de jeito:
“Eu não me deixo ser maltratada por ninguém. Nem por filho.”
Fiz uma retrospectiva. Quantas vezes, em relações amorosas, familiares ou de trabalho, passei por situações em que sabia que estava sendo desrespeitada? Sem contar as que nem percebi? Você já se fez essa pergunta?
A verdade é que todos temos nossas colas, nossos remendos, todos estamos tentando. Mas isso não significa aceitar migalhas, nem normalizar o que machuca, nem deixar nossa validação emocional nas mãos de quem não sabe o que fazer com ela.
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Em A Vida Secreta de Walter Mitty (com Ben Stiller e Sean Penn), um filme que parece bobo no começo, mas que te abraça quando você menos espera, conhecemos Walter, um homem que vive no automático, entre rotinas e fantasias, invisível até para ele mesmo. Ele imagina versões espetaculares de si porque, no fundo, sente que não é suficiente do jeito que é.
A mágica acontece quando ele para de buscar validação fora, quando começa a se ver com olhos mais generosos. Ele não se torna um herói, ele se torna ele mesmo. Ele vive, enfim, uma validação emocional genuína, nascida do autoconhecimento.
E talvez seja essa a verdadeira jornada, parar de pedir para o outro nos enxergar, começar a se ver. E então, de repente, o mundo muda de cor, não porque algo lá fora mudou, mas porque, por dentro, a gente finalmente acendeu, e isso muda tudo.
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
