Se as passarelas antecipam tendências, as ruas ajudam a mostrar quais delas realmente podem entrar no guarda-roupa. Na mais recente edição da Copenhagen Fashion Week, os calçados ganharam papel de destaque no street style, com modelos que misturam referências clássicas, detalhes artesanais e propostas mais ousadas.
Entre as apostas estão sapatilhas rendadas, botas de cano alto, mocassins, mules e os marcantes tabis. Para Cris Lidório, fundadora e diretora criativa da marca brasileira de calçados Lustic, o movimento reforça uma mudança na forma como os sapatos são incorporados às produções.
“O que vimos em Copenhague reforça que o calçado deixou de ser apenas um complemento. Ele passou a construir a identidade do look. Existe uma busca por modelos que tenham personalidade, acabamento e, principalmente, capacidade de transformar uma produção”, afirma.
Sapatilhas ganham renda e mais informação de moda
Depois de temporadas de forte presença das sapatilhas, o modelo continua em evidência, mas ganha novas texturas e acabamentos. A renda aparece como um dos recursos para atualizar o calçado e acrescentar romantismo sem limitar as possibilidades de combinação.
“Existe uma retomada muito interessante das sapatilhas, mas agora elas aparecem com mais informação de moda. A renda acrescenta delicadeza e textura, enquanto a construção do sapato mantém a possibilidade de criar produções mais sofisticadas ou descontraídas”, explica Cris.
Botas de cano alto voltam ao centro do look
Outro clássico que ganha novo fôlego são as botas de cano alto. Em Copenhague, elas apareceram integradas a diferentes propostas e reforçam uma tendência de usar o calçado como elemento de destaque, e não apenas como complemento.
O modelo transita entre produções mais tradicionais e combinações contemporâneas, especialmente quando usado para criar contraste com peças de comprimentos e proporções diferentes.
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Mocassim atravessa tendências
Poucos modelos conseguem entrar e sair de diferentes movimentos da moda sem perder completamente sua identidade. O mocassim é um deles.“O mocassim é um daqueles modelos que conseguem acompanhar a transformação da moda sem perder sua identidade. Ele pode ser clássico, mas também pode ganhar uma leitura muito contemporânea dependendo do material, do acabamento e da construção”, observa a especialista.
Mule combina praticidade e sofisticação
Com a parte de trás aberta, o mule também aparece entre os modelos que devem permanecer no radar. Além da estética, a praticidade ajuda a explicar o retorno frequente do calçado às coleções. “O consumidor quer um calçado bonito, mas também quer facilidade. O mule atende justamente essa necessidade sem abrir mão de uma estética sofisticada”, afirma Cris.
Tabi leva ousadia aos pés
Reconhecido pela divisão entre os dedos, que remete às tradicionais meias japonesas, o tabi é a opção mais marcante entre as tendências observadas. O formato transforma o próprio calçado em ponto focal da produção e conversa com a busca por peças menos óbvias.
Para Cris, a diversidade de modelos também revela uma moda cada vez menos presa a uma única estética. “A moda está cada vez menos preocupada em seguir uma fórmula. Isso também vale para os calçados. O consumidor quer encontrar modelos que tenham personalidade e que possam expressar quem ele é. Por isso, vemos desde a delicadeza de uma sapatilha rendada até a força de uma bota de cano alto ou a ousadia de um tabi”, conclui.
