As lições deixadas por esta Copa

Quando guri pensava na alegria e no orgulho que deveriam ter todos os atletas que estavam lá, num país distante, representando o Brasil

Devemos valorizar essas coisas que parecem naturais, mas que fizemos muito esforço para alcançá-las
Devemos valorizar essas coisas que parecem naturais, mas que fizemos muito esforço para alcançá-las Foto : Paulo Mendes com ajuda de IA

São muitas coisas que podem ser faladas de um evento esportivo como uma Copa do Mundo. Desde a confraternização dos povos de todos os continentes, passando pelas novidades de cada uma das edições do certame, as histórias engraçadas das torcidas presentes, as imagens que nos surpreendem, e até as histórias comoventes de muitos jogadores, famosos ou desconhecidos.

Quando guri pensava na alegria e no orgulho que deveriam ter todos os atletas que estavam lá, num país distante, representando o Brasil. Como seria maravilhoso voltar para casa tão consagrado, trazendo nas mãos aquele cobiçado caneco, chegando no aeroporto, desfilando pelas ruas, ouvindo o povo feliz gritando o seu nome.

No colégio, quando nos chamavam para representar a seleção estudantil do educandário, a gente ficava na maior alegria. Tinha seleção de futsal, na época futebol de salão, handebol, vôlei e basquete. Em algumas ocasiões, quando tínhamos algum triunfo, pudemos sentir um pouquinho daquilo que os craques do “esporte bretão”, sentem, obviamente em muito menor proporção.

Nesta copa do Mundo, que está sendo realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, alguns fatos foram tão impressionantes que ficarão para sempre em nossa memória. Um deles foi o feito de Cabo Verde, um arquipélago composto de dez ilhas localizadas no Oceano Atlântico, que estreou em uma Copa e já obteve a classificação para a segunda fase do torneio, num grupo em que estavam, ainda, Espanha, Arábia Saudita e Uruguai. O mundo jamais deixará de lembrar das proezas do simpático goleiro Vozinha.

E ainda tivemos a caribenha Curaçau, outra debutante em copas, que vibrou como se fosse um título a conquista de um único ponto ao empatar sem gols com o Equador. Este é o lugar que gostaria de sublinhar. A Copa de 2026 nos deixa a lição de que triunfos podem ser ínfimos aos olhos dos outros, mas gigantes para nós. Isto, queridos amigos e amigas, pode ser transportado para o nosso cotidiano. Ou seja, pequenas conquistas podem e devem ser festejadas, mesmo que sejam simples. O término de um curso, uma formatura, um novo emprego, uma amizade, um elogio, um abraço, etc. Devemos valorizar essas coisas que parecem naturais, mas que fizemos muito esforço para alcançá-las.

Então, para nós, equivalem a uma taça. Aí reside o mistério. Compreendendo isso, seremos menos infelizes. Como os dois meninos que vi, numa periferia, torcendo, lado a lado e que vibraram com um gol do Brasil, esquecidos por um instante das dolorosas travas das chuteiras da vida.

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