Falávamos aqui de “pegada ambiental” na edição anterior da coluna . A expressão é usada para mostrar as “marcas” de passos pelo nosso planeta quanto ao uso de combustível, água, eletricidade, separação do lixo e outros hábitos de consumo.
Na semana do meio ambiente, que teve seu dia mundial realizado nesta quinta-feira, é importante lembrar também uma questão mais específica: “créditos de carbono”, iniciativa que envolve governos, instituições e empresas.
O conceito vem do Protocolo de Kyoto, acordo de cooperação internacional firmado em 1997, incluindo o Brasil, por 175 países na cidade japonesa de igual nome. O objetivo do pacto era trabalhar na redução dos gases do efeito estufa, que entre outras coisas levam à mudança climática, responsável por tempestades e enchentes cada vez mais destrutivas.
Esses créditos fazem parte de sistemas voluntários ou regulamentados que estabelecem metas para reduzir a emissão de gases poluentes. Mas como isso faz? Há uma espécie de “moeda” no processo. Os créditos de carbono são concedidos a quem consegue diminuir, eliminar ou compensar o gás carbônico que solta a atmosfera. A cada tonelada de gases que não for emitida no ar, ganha-se um crédito.
Os países desenvolveram comprar esses créditos no mercado de carbono para compensar uma meta de redução que não foi alcançada, conforme explicação da organização WWF Brasil em seu site. Em um exemplo prático, no mercado de carbono voluntário aquelas grandes empresas de nações que ultrapassaram limites de emissão de gás carboidrato podem, por exemplo, auxiliar países no desenvolvimento com projetos de preservação de uma floresta ou propostas de reciclagem de lixo, entre outras.
Assim, apesar de não terem atingido suas metas de controle de poluição, essas iniciativas podem contribuir com a redução dos gases em outras partes do mundo. A alternativa é considerada válida, mas traz polêmica, tanto que no ano passado repercutiu no noticiário mundial a ocorrência de entidades de defesa do meio ambiente com atuação internacional exigindo o fim dos créditos de carbono.
Na prática
- A polêmica segue girando os créditos de carbono. Oitenta ONGs internacionais, entre estas Greenpeace, Anistia Internacional e Oxfam, publicaram carta conjunta em meados de 2024 solicitando o fim da prática de compensar com créditos de emissões de gases do efeito estufa.
- A ocorrência das ONGs tem seus porquês. EUA e China, por exemplo, são as maiores economias do mundo e as empresas de lá podem auxiliar outros países em projetos ambientais, compensando o que não fazem em suas casas. Mas até que ponto faz sentido compensar essas duas maiores economias são também as mais poluidoras?
- Pagar por poluir, é isso que parece, simplificando. Um crédito de carbono corresponde a tirar uma tonelada de gás carbônico da atmosfera. O valor varia muito nesse mercado se olharmos para plataformas de finanças. Em algumas regiões da Europa há preços de 57 dólares (R$ 320). No Brasil ontem havia cotações de 72 dólares (R$ 400) por um crédito. Quando pensamos em queima de combustível fóssil, por exemplo, eliminar 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono resultaria em destinar 72 milhões de dólares para projetos na área. Positivo? Talvez, mas para respostas efetivas o prazo ainda é longo.
