Taline Oppitz

Um ano depois da maior tragédia climática do Rio Grande do Sul

Há um anos atrás, calamidade vivida no Estado já ganhava destaque internacional; concomitantemente, esforços eram feitos para mitigar os danos

Avenida Farrapos vira rio durante as enchentes
Avenida Farrapos vira rio durante as enchentes Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

Há um ano, as enchentes históricas que assolaram o Rio Grande do Sul já ganhavam destaque no país e no cenário internacional. A coluna e todo o trabalho da força-tarefa de reportagem do Correio do Povo e da Rádio Guaíba começava a acontecer de forma totalmente inédita, em função das águas que inundaram também o prédio que é a nossa sede.

Em 3 de maio de 2024, o cenário no Estado já era caótico e ficaria, com o passar dos dias, ainda pior. Pessoas e animais continuavam sendo salvos aos milhares. Em outras frentes, os esforços visavam levar auxílio e mantimentos básicos para os que insistiam em permanecer em suas casas inundadas.

O poder público, em todas as suas instâncias, fazia o possível, sem conseguir atender às simultâneas, urgentes e intermináveis demandas. Milhares de voluntários, daqui e de fora, foram incansáveis. Sem eles, definitivamente, a tragédia teria sido bem maior.

Naquela altura, os números eram preliminares e a única certeza era a de que o Rio Grande do Sul e o Brasil estavam diante de uma tragédia e de um desafio sem proporções. O ápice da crise ainda levaria dias para ser sentido.

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Um ano se passou. Os termos reconstrução, readequação e prevenção passaram a fazer parte do vocabulário diário dos gaúchos. Uma parte da população ainda luta para retomar a vida, para se reinventar. Muitos, do zero.

Um ano depois, os governos federal, estadual e dos municípios, para marcar a data, realizam balanços citando bilhões investidos, ações e iniciativas colocadas em prática. Avanços aconteceram, mas não no ritmo necessário considerando a urgência dos que ainda não têm uma casa para voltar, tampouco à urgência climática, que nos levará a viver eventos cada vez mais frequentes e extremos.

Um ano depois, os governos federal e estadual, administrações municipais e parlamentares seguem protagonizando disputas de narrativas, como a que envolve a demora na liberação dos R$ 6,5 bilhões do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, criado pelo governo federal. E os debates ficarão cada vez mais contaminados em função da proximidade das eleições de 2026.