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O encontro foi aberto pelo depoimento do árbitro de futebol, que detalhou as agressões verbais que sofreu de um grupo de 20 torcedores ainda ao entrar em campo e depois do jogo no dia 5 de março, quando encontrou o seu veículo com as portas amassadas e bananas espalhadas pelo carro. Pela gravidade, o caso teve visibilidade nacional. “Mas não havia justificativas ou motivos. Existe um racismo velado muito forte no Brasil e no esporte”, afirmou Chagas.
Nesta mesma linha, a vereadora Séfora Mota ressaltou que o preconceito chega a ser comparado a uma doença. “É preciso enfrentar o tema o tempo inteiro para conseguirmos a longo prazo mudar essa realidade”, disse. Em solidariedade ao árbitro, a vereadora Fernanda Melchiona avaliou que, para mudar essa realidade, é preciso pensar em medidas efetivas de compensação às vítimas. “É necessário exigir do Estado reparação por este tipo de crime”, afirmou ela. De acordo com o presidente da Comissão, Alberto Kopittke, o combate ao racismo merece maior atenção. “Somos responsáveis por ainda haver racismo no Brasil”, lamentou.
De acordo com dados apresentados pelo assessor da Secretaria de Segurança Pública (SSP/RS), Luiz Felipe Teixeira, foram registradas mais de mil ocorrências ligadas ao preconceito de cor ou origem no Rio Grande do Sul. Os números correspondem ao período de 2007 e 2013, levando em consideração os 12 municípios gaúchos com maior número de registros. Segundo a secretaria, Porto Alegre lidera o ranking com 26% do total das ocorrências.
Teixeira informou que, apesar do volume, os dados estão longe da realidade. Ele explicou que o número maior de ocorrências em Porto Alegre está diretamente ligado à facilidade de acesso aos serviços de polícia. Segundo ele, no Interior há uma certa complacência com crimes de racismo.