Roberto Alves


Moela de boteco: receita transforma miúdo em petisco de balcão

Com cozimento lento, tempero forte e caldo encorpado, a moela de galinha mostra por que virou um dos tira-gostos mais queridos dos botecos brasileiros

Moela de boteco ganha sabor com temperos, caldo encorpado e cozimento lento na panela de pressão
Moela de boteco ganha sabor com temperos, caldo encorpado e cozimento lento na panela de pressão Foto : Canva / Divulgação / CP

A moela de galinha é um dos petiscos mais queridos dos botecos brasileiros. É a parte do frango que trabalha duro, que mastiga pedra e digere o impossível. Por isso mesmo, tem gosto de resistência.

Os botecos entenderam isso primeiro: pegaram o que era miúdo, trataram com tempo, paciência e tempero, e transformaram em majestade de tira-gosto. A origem vem da cozinha de aproveitamento, aquela sabedoria antiga em que nada se perdia do frango.

No interior, a moela ia para a panela de pressão com tempero forte, até ficar macia e ganhar personalidade. Depois chegou à cidade, encostou no balcão, fez amizade com a cerveja gelada e virou patrimônio nacional de boteco.

🫕Moela de boteco

📝Ingredientes

  • 1 kg de moela bem limpa
  • Vinagre suficiente para deixar de molho
  • 1 cebola roxa picada
  • 2 dentes de alho picados
  • 2 tomates com sementes, picados
  • 150 ml de molho de tomate
  • 1 pimentão picado
  • 1 cenoura picada
  • Folhas de louro a gosto
  • Cominho a gosto
  • Pimenta dedo-de-moça a gosto
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino a gosto
  • Molho inglês a gosto
  • Cheiro-verde para finalizar

🍽️Para servir

  • Farinha de mandioca
  • Pão francês
  • Caldo grosso de tomate, bem avermelhado, para não sobrar nada no prato

🥣Modo de preparo

  1. Limpe bem a moela e retire a pele amarela, se ainda houver. Coloque em uma tigela com bastante vinagre, misture bem e deixe de molho por cerca de cinco minutos. Depois, lave em água corrente. Moela boa começa no capricho.
  2. Tempere com sal, molho inglês, pimenta-do-reino, uma colherinha de cominho e duas colheres de sopa de vinagre, que ajudam a quebrar as fibras mais rígidas da moela. Deixe marinar por uma hora. Reserve.
  3. Em uma panela de pressão, refogue a cebola, o alho, a cenoura e a pimenta dedo-de-moça até dourar. Acrescente a moela e deixe ganhar cor.
  4. Adicione os tomates, o molho de tomate, o pimentão, o louro, mais um pouco de cominho, sal e pimenta. Cubra com água quente, feche a panela e cozinhe por cerca de 40 minutos depois que começar a pressão. A moela deve sair macia, quase desmanchando.
  5. Abra a panela, acrescente mais uma colher de sopa de vinagre de vinho tinto, acerte o sal e a pimenta-do-reino. Deixe apurar sem tampa até o caldo engrossar e virar aquele molho de lamber os dedos. Se for necessário, engrosse com um pouco de amido de milho diluído em água fria.
  6. Desligue o fogo e finalize com cheiro-verde.

Dica do chef: Para servir como manda a tradição, coloque a moela em uma tigela de barro, com farinha de mandioca ao lado, pão francês na espera e palito para espetar. Cerveja trincando, conversa fiada e moderação zero no molho.

Moela de boteco não é só comida. É desculpa para sentar, pedir a saideira e jurar que essa é a última porção. Mentira. Sempre cabe mais uma.

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