É na região Sul do Brasil que se concentra o maior número de investidoras jovens, com menos de 35 anos, majoritariamente da classe B e, em geral, mães de até dois filhos. O dado faz parte do estudo “Women and the capital market: study on the profile of Brazilian female investors”, publicado na Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e revela foco na construção de patrimônio e no crescimento financeiro.
A pesquisa mostra que as investidoras brasileiras se dividem em três grupos: experientes, iniciantes e jovens adultas, classificação que considera tanto os estágios vivenciados no mercado quanto a faixa etária. Os dados ajudam a traçar o perfil das investidoras e reforçam os cases que foram apresentados no último dia do South Summit Brazil.
O tema, discutido no painel “Women Backing Women: The Capital Advantage”, no Growth Stage, teve a mediação da sócia-gerente da Sororitê Ventures, Jaana Goeggel, a investidora-anjo Erika Aquino e a sócia-gerente da Epic Angels, Maaike Doyer. As participantes abordaram aspectos ligados a investimentos de renda variável, como startups e bolsa de valores, que não oferecem garantia de retorno financeiro.
Apesar das diferenças entre os grupos, as investidoras brasileiras compartilham algumas características. O desejo de investir, seja para manter ou melhorar a condição financeira que já possuem, aproxima esses perfis. Em comum, está a busca por estabilidade financeira, independentemente da fase de vida em que se encontram.
Startups lideradas por mulheres
A filipina Erika Aquino acredita que as experiências acumuladas pelas mulheres ao longo da vida podem se transformar em negócios. “É uma vida inteira ajudando os outros. Quando você monetiza isso, quando você cria negócios a partir do que já faz para viver e fez por toda a vida, é o momento da virada de chave”, afirma.
Ao observar o mercado de investimentos em startups lideradas por mulheres, a suíça Jaana Goeggel diz que a crença em uma missão, seja a apresentada pelas startups ou a de fortalecer negócios com liderança feminina, incentiva mais mulheres a investir. A holandesa Maaike Doyer vê uma perspectiva semelhante. “Mulheres são mais conscientes sobre as diferenças que desejam promover com seus investimentos”, afirma.
Jaana também avalia que a motivação para investir vai além do potencial de crescimento financeiro. “Quando tem uma missão atrás, as mulheres ficam mais empolgadas para entrar no investimento, porque sabem que, além do dinheiro, estão apoiando uma causa”, diz, ao se referir tanto às startups quanto à ampliação da presença feminina entre investidoras.
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No Brasil, o investimento feito por mulheres cresceu. Segundo a B3, a bolsa de valores contabilizava 1.436.232 investidoras até fevereiro de 2026. Em 2018, eram 165.284.Apesar desse avanço, Jaana observa que a incerteza em torno de investimentos mais arriscados ainda afasta parte das mulheres de negócios com menor estabilidade financeira, como as startups. “As mulheres ainda têm dificuldade para se sentirem confortáveis para assumir um risco empresarial”, comenta.
Mulheres investem maiores quantias
As mulheres investem mais dinheiro em negócios do que os homens, de acordo com levantamento da B3 divulgado neste mês. Durante o painel, as participantes discutiram a relação entre aportes mais altos em renda variável, categoria em que o retorno não é garantido, e uma aceitação mais consciente e planejada dos riscos. O levantamento da B3 mostra que a mediana do estoque investido por mulheres na bolsa de valores é de R$ 3.034. Entre os homens, o valor é menor: R$ 1.716 por investidor.
As investidoras consideradas mais experientes se concentram no Sudeste. Na faixa dos 45 anos, elas pertencem à classe A, apresentam maior estabilidade familiar e têm, em média, dois filhos. O estudo observa que esse perfil indica estabilidade financeira, o que amplia o volume de investimentos realizados.
No Nordeste está a maior quantidade de investidoras iniciantes. Elas têm menor grau de formação, pertencem à classe C e têm média de 28 anos. A idade, somada à menor média de filhos, indica que o grupo está no início da jornada financeira, ao mesmo tempo em que busca oportunidades de investimento.