As comunidades rurais de Cruzeiro do Sul atingidas pelo desastre climático de 2024 realizaram nesta quinta-feira, dia 1º, um ato para marcar um ano da tragédia. No Ginásio da Comunidade Maravalha, em Cruzeiro do Sul, reuniram-se cerca de 200 pessoas, principalmente de comunidades rurais que foram atingidas e de outros municípios. A programação contou com depoimentos e mensagens para lembrar o esforço de reconstrução da população.
O evento foi organizado por coletivos que atuam no município. “Essa mobilização se deu especialmente no sentido de ter um momento de retomada do vivido, no sentido de fortalecer a esperança de toda essa gente aqui. Especialmente das pessoas que contribuíram no processo de resgate e agora de recuperação das famílias e das comunidades”, disse Marilene Maia, assistente social e representante do movimento Cáritas RS, um dos principais organizadores do evento e que mobiliza as comunidades locais no enfrentamento às emergências climáticas.
A programação contou com um momento de reunir símbolos importantes que fizeram parte da história da tragédia, como botas, carrinho de mão e outros instrumentos que auxiliaram na reconstrução dos territórios. “Tivemos também mudas e sementes que foram partilhadas nesse tempo para ajudar no plantio e colheita que está sendo feita agora”, completou Marilene. “Foi um momento de fortalecer cada família como um agente importante na reconstrução, e das comunidades que ainda estão sofrendo com as perdas da enchente”.
- Eldorado: a dor de partir e o receio de ficar
- Enchentes como a de 2024 podem se tornar até cinco vezes mais frequentes, diz estudo
- Um ano depois, como estão as ocupações surgidas durante a enchente
- "Esse espaço representa nossa dignidade": depois da enchente, famílias reconstroem suas vidas em ocupação
As comunidades rurais locais ainda terão duas oficinas já agendadas para a discussão dos planos de proteção e de prevenção com a participação da Defesa Civil municipal e regional. “O que nós entendemos é que essas comunidades ainda não tiveram uma participação mais ampliada sobre isso, para entender o que que aconteceu aqui, e construir coletivamente, então, estratégias de proteção e prevenção, tanto no âmbito familiar, em cada uma das comunidades, como na região de Cruzeiro do Sul”, disse Marilene.
Entre os participantes do evento, estavam representantes do orojeto “Cáritas nas Emergências: Comunidades Mobilizadas no Enfrentamento às Mudanças Climáticas”, realizado pela Rede Cáritas, Escola de Jovens Rurais (EJR), Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Emater, Setor de Assistência Social da Diocese de Santa Cruz do Sul, Paróquia São Gabriel Arcanjo e a prefeitura de Cruzeiro do Sul.
O vice-prefeito de Cruzeiro do Sul, Carlos Spiekermann, e o presidente da Câmara de Vereadores, Júlio César Scheeren, também marcaram presença, além de representantes da Campanha Missão Sementes de Solidariedade, que desde as enchentes de 2023 visitam as famílias atingidas para oferecer escuta e distribuir mudas e árvores para a recuperação das áreas e plantações devastadas pela tragédia.