Um dos marcos da imprensa do interior gaúcho, “O Taquaryense” celebra 138 anos de fundação nesta sexta-feira, 1º de agosto, com uma ação especial que também resgata parte da trajetória do Correio do Povo. A edição comemorativa será impressa em uma máquina histórica do tipo Marinoni, que pertenceu ao CP e desempenhou papel central na disseminação da informação no Rio Grande do Sul no início do século 20.
A Marinoni tem capacidade para imprimir quatro páginas simultaneamente. Nela, o processo é artesanal: a montagem das páginas é feita manualmente e os textos são gravados em placas de metal por meio de uma linotipo — equipamento que funde o chumbo para compor cada linha. O trabalho exige a atuação de um tipógrafo, profissional especializado na técnica de composição.
Além da impressora, a equipe de “O Taquaryense” também utilizará o motor original, movido a querosene, que foi projetado e construído em 1901 por Joaquim Alcaraz — mecânico e dirigente do Correio do Povo. O motor e a impressora foram restaurados especialmente para esta celebração e voltam a operar juntos após 69 anos.
“Meu trisavô, Albertino Saraiva, começou este legado. A impressora foi comprada em 1910 e, no início, funcionava com querosene e costumava fazer fumaça pela redação. Depois, na década de 1930, foi eletrificada”, conta Pedro Harry Dias Flores, 29 anos, descendente do fundador e atual administrador do jornal.
A impressão da edição especial será transmitida ao vivo pela internet nesta sexta-feira, a partir das 19h, no perfil @otaquaryense.
História
- As impressoras Marinoni, criadas no século 19, revolucionaram a indústria gráfica ao permitir impressões em larga escala com maior velocidade e qualidade. Foram essenciais para o crescimento da imprensa moderna.
- Fundado em 1887, “O Taquaryense” acompanhou alguns dos acontecimentos mais relevantes da história gaúcha, brasileira e mundial — da assinatura da Lei Áurea à Proclamação da República, passando pelas duas Guerras Mundiais.
- É reconhecido como patrimônio de Taquari, por seu papel na preservação da memória local e da identidade cultural da comunidade.