Uma das pautas do intercâmbio entre pessoas jovens dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho e da cidade de Ehrenfriedersdorf, da Alemanha, é a justiça socioambiental, com ênfase aos impactos da catástrofe climática de 2024. Para isso, o grupo se deslocou ao Vale do Taquari para conhecer os locais mais afetados pela catástrofe, bem como iniciativas ambientais que visam amenizar os impactos provocados pelas mudanças climáticas.
Os intercambistas conheceram a Horta Comunitária de Teutônia, uma iniciativa de economia solidária que ocorre em uma área da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Redentor, na Paróquia Teutônia Sul – Sínodo Vale do Taquari. O grupo foi recepcionado pelos voluntários que atuam no espaço e puderam conhecer o funcionamento da horta, que segue os princípios da agroecologia e respeitando a flora dos biomas Pampa e Mata Atlântica.
"A Horta Comunitária surgiu como um projeto de solidariedade e funciona através do trabalho voluntário da comunidade e doações. Ela visa complementar a dieta de famílias de baixa renda, além de ser uma estratégia de saúde mental e convivência comunitária", explicaram as pessoas voluntárias.
Em Estrela, os jovens visitaram a Prefeitura, tendo em vista que o município possui parceria oficializada com Ehrenfriedersdorf. A prefeita Carine Schwingel explicou os projetos de sustentabilidade e reconstrução em execução no município. "Em breve estaremos integrando um estudo nacional de monitoramento do Rio Taquari", pontuou. Ela ainda enalteceu a parceria com Ehrenfriedersdorf. "Essa troca de ideias entre cidades de diferentes culturas e pensamentos contribui para o crescimento mútuo e o desenvolvimento de ambas as comunidades."
Na sequência, o grupo se deslocou até o Parque da Lagoa, às margens do Rio Taquari, um dos locais duramente afetados pela catástrofe climática. Em barcos percorreram o manancial até as proximidades da ponte da BR 386, onde puderam visualizar ao longo do trajeto os estragos. Posteriormente, realizaram o plantio de árvores nativas no parque.
Outro local visitado foi o bairro Moinhos, na região conhecida como Marmitt, que foi totalmente destruída pela força das águas e que hoje, por determinação do Município, está inabitável.
"Estrela tem 32 quilômetros de margens no Rio Taquari e o planejamento da cidade sempre foi baseado na enchente de 1941. Nos últimos anos, tivemos uma grande mudança na frequência das cheias. Temos observado que cada ano chove mais em menos dias, causando mais eventos estranhos, como a maior enchente da história de Estrela, em maio de 2024", explicou o biólogo da Prefeitura, Emerson Musskopf
COMPREENSÃO DA DIMENSÃO DA CATÁSTROFE CLIMÁTICA
O assessor de Relações Internacionais, Natan de Oliveira Schumann, que esteve na coordenação do intercâmbio pelo Sínodo Rio dos Sinos, disse que a inclusão do Vale do Taquari na programação visa oportunizar aos alemães e, também, aos brasileiros, a compreensão da dimensão da catástrofe climática, tendo em vista que a região foi uma das mais atingidas pelo rastro de destruição. "A escolha pelo Vale do Taquari visou oportunizar justamente esta vivência de campo, de visitar a região e ver o que a catástrofe climática causou e como os municípios estão se reconstruindo", afirmou.
Schumann também enalteceu que plantio de árvores, como o feito em Estrela, tem um forte simbolismo para a tradição luterana, como algo que se deixa para o futuro. "Lutero dizia que mesmo que soubesse que o mundo acabaria amanhã, hoje plantaria uma árvore. Em face às mudanças climáticas e à injustiça socioambiental, este gesto de conhecer o bioma, o rio e plantar árvores é bastante simbólico, no sentido de tentar deixar algo melhor para o futuro."
Além da justiça socioambiental, o intercâmbio teve como objetivo aproximar as juventudes dos dois países. "O objetivo central é promover a aproximação entre as comunidades brasileira e alemã, por meio do encontro de jovens, fortalecendo o senso de comunidade, comunhão, fé e irmandade", sublinhou o secretário geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pastor Marcos Bechert. O intercâmbio é fruto de parceria entre a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana da Saxônia (Alemanha).
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