Cidades

Um mês após lançamento oficial, TJRS avalia como positivo uso de ferramentas de IA para agilizar processos

Plataforma GAIA já foi utilizada cerca de 200 mil vezes por magistrados gaúchos, segundo presidente do Conselho de Inovação do Tribunal

Conexão Gaia , IA no TJ-RS
Conexão Gaia , IA no TJ-RS Foto : Ricardo Giusti

A Plataforma GAIA, sigla para Gestão Avançada de Inteligência Artificial, desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) para acelerar processos e integrar a IA na rotina judiciária, é um sucesso e vista com otimismo pelo tribunal, disse o presidente dos Conselhos de Inovação e Tecnologia e de Comunicação Social do TJRS, desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira. De acordo com ele, desde sua implantação, oficialmente há um mês, o conjunto de oito ferramentas já foi utilizado por volta de 200 mil vezes, tanto pelos membros do TJRS em si, quanto pelas comarcas.

Há poucos dias, a marca era de 150 mil. Premiada nacionalmente pelo seu pioneirismo, a GAIA, que utiliza dados apenas do acervo próprio jurídico, já agiliza em cinco vezes a análise de processos e redações de minutas na comparação com o trabalho manual, reduzindo também o tempo gasto em correções. “GAIA é nossa plataforma mestra de IA, através da qual podemos acoplar e desenvolver diversos outros agentes de inteligência artificial que possam atuar em conjunto ou separadamente nas atividades do Poder Judiciário”, disse o desembargador.

Desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira | Foto: Juliano Verardi/DICOM TJRS

Apesar de seu lançamento em junho de 2025, sua construção iniciou em dezembro do ano passado, sendo os principais produtos o GAIA Assistente, que responde perguntas sobre o processo em questão, e o GAIA Minuta, ferramenta que gera um rascunho de decisão, alinhando à proposição do magistrado, mas há outras integradas, que atuam desde a validação de notas fiscais até a agilização de trâmites administrativos.

Questionado sobre a aceitação à ferramenta por parte dos magistrados, o desembargador disse que ela foi muito tranquila, muito pelo fator curiosidade. “Até pela cautela de aculturar os magistrados que fomos implementando a GAIA de maneira progressiva. Começamos pelo próprio TJRS, onde há um número menor de usuários, para avaliar o comportamento não apenas da ferramenta, e depois para as comarcas de entrância inicial, intermediárias e finais. Nossa preocupação foi justamente a ruptura conceitual”, salientou.

O tribunal também buscou garantir que houvesse uma ferramenta diferenciada em relação às IAs generativas disponíveis no mercado para o público geral, reduzindo também a possibilidade de alucinações e produção de vieses. Para o futuro, ele disse acreditar que, “quanto mais ela é utilizada, mais próxima da perfeição fica”.

“O uso dela tem sido exponencial. Tribunais de outras regiões têm nos buscado com interesse em implementá-la também. Ela vai aprendendo não somente com os precedentes da unidade, como também com os jeitos de linguagem do próprio usuário. GAIA não vai substituir ninguém. Ela tem que ser produzida pela mão humana, e vamos precisar que as pessoas estejam muito presentes neste processo, muito qualificados nisto. Quem não se qualificar, ficará prejudicado”, salientou o desembargador.

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