O Brasil enfrenta um desafio estratégico que une economia, sustentabilidade e segurança alimentar. Enquanto o País possui vocação natural para a liderança em biocombustíveis, ainda despende cerca de R$ 61 bilhões na importação de diesel fóssil, ignorando o fato de que o biodiesel nacional pode ser até R$ 1 mais barato por litro na bomba.
Em entrevista exclusiva ao podcast do Correio do Povo durante o 6º Fórum de Energias Renováveis, com patrocínio de Biometano Sul e Biotérmica Energia, o ex-deputado federal e atual presidente da Aprobio e da Cebra, Jerônimo Goergen, detalhou os entraves e as soluções para o Brasil atingir a autossuficiência energética.
Goergen ressalta que o biodiesel e o etanol não são apenas questões ambientais, mas pilares da competitividade brasileira. Segundo ele, a produção desses biocombustíveis é fundamental para a estratégia de segurança alimentar, pois garante a viabilidade da proteína animal ao valorizar o complexo da soja. Como o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional, o Estado está no centro dessa engrenagem econômica.
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Testes e a crítica à falta de planejamento
Ele destacou, por exemplo, o maior programa de testes de biocombustível do mundo, financiado pelo setor privado para garantir a qualidade do produto e permitir misturas de até 25%. Ao mesmo tempo, Goergen critica a falta de previsibilidade e planejamento do Estado brasileiro, alertando que o uso da capacidade industrial já instalada poderia tornar o País autossuficiente, economizando bilhões que hoje são enviados ao exterior.
Além disso, ressaltou a necessidade de o Brasil pensar a transição energética como uma política de Estado, acima de disputas ideológicas.