Ensino

Professores de Canoas rejeitam pela segunda vez contraproposta do governo municipal e seguem em greve

O descontentamento dos profissionais se concentra, especialmente, na proposta de pagamento da reposição salarial de 4,26% em seis parcelas; educadores vão ao MP e denunciam gastos excessivos

Categoria segue alinhada e focada para obter uma valorização real, que reflita no bolso do educador
Categoria segue alinhada e focada para obter uma valorização real, que reflita no bolso do educador Foto : Jonathan Zotti da Silva / Divulgação / CP

Em greve desde o dia 22 de abril, os professores da rede municipal de Canoas rejeitaram pela segunda vez a contraproposta apresentada pelo Executivo e decidiram pela continuidade do movimento paredista. A mobilização dos educadores segue até que o governo atenda a pauta de reivindicações que valorize a categoria e contemple a todos os professores da rede. O descontentamento dos profissionais da educação se concentra, especialmente, na proposta de pagamento da reposição salarial de 4,26% em seis parcelas.

Na primeira solução apresentada pelo prefeito Airton Souza, a intenção era de efetuar o pagamento em oito vezes. Os professores querem pagamento em parcela única, além da contratação de vigilantes para as escolas e nomeação dos aprovados no último concurso. O vice-presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Canoas (Sinprocan), Júlio César Santos, destaca que a reposição da inflação parcelada é um absurdo. "Queremos a reposição integral na folha de maio. Queremos a nomeação de todos os professores aprovados no último concurso porque estamos sobrecarregados dentro da sala de aula."

Nesta terça-feira, uma nova mobilização dos professores acontece em frente ao prédio da prefeitura. Também está prevista uma caminhada dos grevistas até o Ministério Público onde deverá ser entregue uma documentação, denunciando a falta de professores e o investimento da atual gestão em um serviço que a categoria considera desnecessário, ineficiente e oneroso.

De acordo com o Sindicato, são R$ 46 milhões pagos anualmente pelo contrato do Conecta+Canoas, recurso avaliado pelos educadores como um desperdício diante do baixo uso da plataforma e da dificuldade de acesso nas escolas, já que existem ferramentas gratuitas sendo utilizadas desde 2019. Ou seja, fato que retrata um custo alto para um serviço desnecessário.

O professor Jonathan Zotti da Silva, que está no comando de greve e é uma das lideranças da categoria, aponta na denúncia que o Executivo está "torrando o dinheiro do Fundeb em ferramentas desnecessárias." Sobre o movimento estar completando uma semana, Silva diz que a categoria está muito alinhada à causa. "Enquanto não houver valorização real, de salário, essa greve não desmobiliza. A categoria está forte e focada em seu propósito e essa denúncia deve enfraquecer o governo. Estamos apostando nos órgãos de fiscalização."

EXECUTIVO CANOENSE REFORÇA DIÁLOGO

A prefeitura de Canoas informou que segue atuando para garantir a retomada das aulas na rede municipal, mesmo após a decisão da categoria em manter a greve, conforme assembleia realizada na segunda-feira. A administração informou ainda que tem intensificado o diálogo com os representantes dos professores e Como resultado desse esforço, o Município apresentou avanços concretos na proposta.

Entre as medidas, está a redução do parcelamento da reposição salarial de oito para seis vezes, além da garantia da reposição integral da inflação de 2025 e da aplicação do piso nacional do magistério. Outro destaque é o vale-alimentação, benefício adiciona cerca de R$604 à renda dos professores, o que pode representar um incremento de 10% sobre o salário base. "Seguimos avançando, dialogando e fazendo todos os esforços possíveis dentro da realidade do Município, mas chegamos ao limite da nossa sustentabilidade financeira", enfatiza o prefeito Airton Souza.

A Prefeitura ressalta que a proposta apresentada representa o limite da capacidade financeira do Município, que atualmente opera com despesas que comprometem mais de 95% da receita. Ainda assim, a gestão realizou ajustes para avançar no diálogo e buscar uma solução.

A atual gestão aponta ter implantado medidas voltadas à qualificação da educação e à valorização dos profissionais. Entre as ações estão a contratação de 500 monitores de inclusão, sendo que 250 já iniciaram nesta semana; a realização de concurso público; a retomada das eleições para diretores; a correção de descontos de aposentados e a manutenção do auxílio transporte.

CPERS MANIFESTA APOIO À MOBILIZAÇÃO

O Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do Rio Grande do Sul (CPERS), que representa cerca de 80 mil trabalhadores em Educação do estado, manifestou apoio à greve dos educadores de Canoas, destacando que a mobilização expressa uma luta legítima por valorização profissional, melhores condições de trabalho e respeito à educação pública. "O Sindicato reafirma que a valorização da educação exige compromisso dos gestores públicos com políticas que garantam salários justos, o cumprimento do piso nacional, planos de carreira estruturados e investimentos efetivos nas escolas. Nos somamos ao Sinprocan, às professoras e professores municipais, fortalecendo essa luta coletiva."

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