A operação Carbono Oculto, uma das maiores ações da Polícia Federal contra o crime organizado, foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira. Em entrevista à rádio Itatiaia, Lula disse que a ofensiva irá colaborar com o andamento da PEC da Segurança.
"O que aconteceu ontem irá facilitar a aprovação da PEC da Segurança. Ajuda muito porque mostra a seriedade com que foi feita a operação”, sintetizou.
Lula destacou a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que falou sobre a chance de encontrar os principais responsáveis pelo crime organizado. “Acho que vamos ver quem está ali. Quem vai fazer isso é a Polícia Federal com a organização do Ministério da Justiça. A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado, e o ex-presidente que tome cuidado”, avisou.
O chefe de Estado brasileiro comentou que o crime organizado é muito sofisticado, porque “está em todo lugar”. “É uma verdadeira multinacional, não tem lugar em que não estejam. É preciso muito investimento em inteligência para conter isso, mas nós iremos chegar lá”, ponderou.
Lula afirmou ainda que o objetivo do governo federal em sua gestão é saber das administrações estaduais como é possível tornar a polícia mais eficiente.
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PCC na mira
A avenida Faria Lima, em São Paulo, amanheceu nesta quinta com equipes de Polícia Federal, Polícia Militar, promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além de agentes e fiscais das Receitas Estadual e Federal como parte da Operação Carbono Oculto.
Integrada nesta quinta às Operações Quasar e Tank, de diversas instituições em dez Estados, se tornou a maior já feita até hoje para combater a infiltração do crime organizado na economia formal do País. A estimativa é de que as fraudes, coordenadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), movimentaram R$ 23 bilhões.
A megaoperação mirou 41 pessoas físicas e bloqueou 21 fundos de investimentos. Seis pessoas foram presas, mas, segundo as autoridades, há alvos importantes que são considerados foragidos.
Conforme o diretor da PF, Andrei Rodrigues, 255 pessoas jurídicas estariam envolvidas no esquema bilionário da facção criminosa. Mais de R$ 300 mil em espécie foram apreendidos assim como 141 veículos. Além disso, a Receita Federal decretou o sequestro de 192 imóveis e de duas embarcações usadas por integrantes da organização.