Deflagrada na manhã desta quarta-feira, a Operação Padrinho já resultou em 72 prisões e é considerada pela Polícia Civil a maior ação realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) contra homicídios no interior do Rio Grande do Sul. A ofensiva mobilizou cerca de 350 policiais, com o cumprimento de 231 ordens judiciais, entre 75 mandados de prisão preventiva e 92 de busca e apreensão, além de outras medidas.
Segundo o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a operação busca atingir a estrutura de uma organização criminosa envolvida em homicídios em Santa Maria e na Região Central, alcançando tanto integrantes que atuavam nas ruas quanto lideranças que comandavam atividades de dentro do sistema prisional. A ação também pretende atingir a estrutura financeira e logística do grupo.
O diretor do Departamento de Homicídios do Interior (DHI), delegado Thiago Carrijo, destacou a redução dos homicídios em Santa Maria. O município registrou 63 casos em 2024, 33 em 2025 e, até o momento, dez em 2026. “Santa Maria tem dez homicídios no ano, sendo que tão somente dois envolvem o crime organizado. Os outros oito dizem respeito a questões privadas”, afirmou.
A investigação que deu origem à operação começou em 13 de agosto de 2025, após o assassinato de um homem no bairro Nova Santa Marta. Ele foi atingido por 15 disparos de arma de fogo em frente à própria residência.
Conforme o delegado Adriano Rossi, responsável pela investigação, o crime teria sido motivado por uma disputa dentro do sistema prisional. Dias antes do homicídio, uma repetidora de sinal de internet, lançada por drone, caiu em uma galeria diferente daquela a que se destinava, na Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). Os presos que receberam o equipamento decidiram retê-lo.
Depois de alguns dias, segundo Rossi, o objeto foi devolvido danificado. “Passou uns dias, não houve a entrega, até que eles devolveram avariado. Foi quando teriam dito, inclusive, que isso seria resolvido na rua. Isso aconteceu horas depois do homicídio” afirmou o delegado. Os autores identificados pela investigação foram denunciados e se tornaram réus pelo homicídio.
A apuração também apontou que a organização criminosa tinha uma estrutura hierárquica, com divisão de tarefas e articulação entre integrantes em liberdade e lideranças presas. Conforme a Polícia Civil, o grupo utilizava o sistema prisional para coordenar atividades relacionadas ao tráfico de drogas e determinar execuções.
Dos 38 alvos de prisão preventiva que estavam em liberdade, 35 haviam sido localizados até a manhã. Três equipes ainda trabalhavam para cumprir os mandados restantes. A operação também alcançou pessoas que já estavam recolhidas em unidades prisionais.
Segundo Rossi, as prisões dentro do sistema penitenciário são importantes para responsabilizar integrantes que, mesmo presos, continuariam exercendo influência sobre as atividades criminosas. As novas ordens judiciais também podem ter reflexos na avaliação de benefícios, como progressão de regime e saídas temporárias, conforme decisão do Judiciário.
Protocolo contra homicídios
A Operação Padrinho integra a quinta etapa do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios, que reúne ações de diferentes forças de segurança. O plano prevê medidas como saturação de áreas, ações pontuais, responsabilização de lideranças, revistas em presídios, operações especiais e transferência de presos considerados de alta periculosidade.
Segundo o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a operação foi resultado de um trabalho de investigação que levou cerca de um ano e três meses. “Essa operação de hoje é a medida número cinco do protocolo, que são as operações especiais”, explicou.
Souza também destacou o caráter integrado da ofensiva e o impacto pretendido sobre a organização criminosa. “A Operação Padrinho é um grande golpe do Rio Grande do Sul contra homicídios, com todas as polícias trabalhando em conjunto e derrotando o crime organizado”, afirmou.