Primeiros a se manifestarem após o relator, ministro Alexandre de Moraes, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os advogados do delator Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, focaram boa parte de suas sustentações orais para refutar a tese de que não houve coação, por parte da Polícia Federal ou de Moraes, e para defender a necessidade da validação integral da delação do cliente.
Outro ponto destacado foi o de que não ocorreram mudanças de versões na delação, mas a ampliação das informações prestadas. Os movimentos são estratégicos. A delação, fundamental para o objetivo de tentar minimizar as sanções impostas ao ex-ajudante de ordens, já foi e seguirá sob a mira, agora ainda mais precisa, de múltiplos atores no cenário do julgamento.
Um dos pilares para a elaboração de boa parte da denúncia apresentada pela Procuradoria-geral da República, o conteúdo da delação de Cid foi questionado pelo próprio Paulo Gonet. O procurador acredita que Cid sabe mais do que efetivamente contou.
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A delação também está na mira de advogados dos demais réus, que tentam desacreditar e desmoralizar o Cid para aliviar a situação de seus clientes. E terá ainda fragilidades exploradas pelo ministro Luiz Fux, que durante seu voto, deve abrir divergência em relação a Alexandre de Moraes. Ele já deixou claro que não está confortável com as “nove delações” apresentadas por Cid.
Enquanto a batalha se desenvolve no campo jurídico, outra foi intensificada no campo político. Considerando certa a condenação do ex-presidente, lideranças bolsonaristas focaram as atenções no Congresso.
Um dos desdobramentos imediatos, antes mesmo do desfecho final do julgamento, previsto para a semana que vem, foi a retomada da pressão pela votação da proposta da anistia. “Estamos acompanhando este julgamento que, na nossa visão, é só pro forma. Não existe nada que possa surgir de novo. Então, cabe ao Congresso, agora, pautar a anistia. Por isso vamos conversar com o presidente (da Câmara), Hugo Motta”, disse o líder da oposição na Casa, Luciano Zucco (PL), após reunião de bolsonaristas em sua residência, em Brasília.
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