Política

Delegado responsável por inquérito da Pousada Garoa afasta possibilidade de incêndio por terceiros

Depoimento foi feito em CPI da Câmara de Porto Alegre que investiga o caso

Defesa dos indiciados tem defendido a hipótese de que um estranho teria ateado fogo ao local; o delegado negou
Defesa dos indiciados tem defendido a hipótese de que um estranho teria ateado fogo ao local; o delegado negou Foto : Marlon Kevin/CMPA/CP

Responsável por comandar, do início ao fim, as investigações para elaboração do inquérito sobre o incêndio da Pousada Garoa, que matou 11 pessoas e deixou 15 feridas, o delegado da Polícia Civil, Daniel Ordahi, reforçou o seu entendimento de que o fogo provocado no prédio não foi provocado por um terceiro.

O que não aconteceu é alguém ter entrado de fora da pousada e colocado fogo dolosamente e saído da pousada. Então, o fogo se iniciou dentro da pousada”, garantiu, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Porto Alegre que investiga o caso, nesta segunda-feira. A hipótese vem sendo defendida pela defesa dos indiciados.

Segundo o delegado, as imagens das câmeras de segurança e os depoimentos dos presentes ouvidos durante as investigações, afastam essa hipótese. Em oitiva privada à CPI, um dos sobreviventes chegou a apontar o nome de quem seria o suposto autor do fogo.

Me causou uma certa estranheza que um ano depois ele (depoente) venha dizer, 'olha, eu sei que foi fulano que botou fogo na pousada'”, afirmou Ordahi, uma vez que o mesmo foi ouvido pela Polícia durante as investigações.

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Por isso, reafirmou as conclusões apresentadas no inquérito, onde indicia o dono das Pousadas Garoa, André Kologeski; o ex-presidente da Fasc, Cristiano Roratto; e a servidora fiscal de contrato, Patrícia Schüler, por homicídio culposo com agravantes – quando uma pessoa causa a morte de outra sem a intenção de matar, mas por imprudência, negligência ou imperícia. Posteriormente, o Ministério Público solicitou a mudança para homicídio doloso. Os três devem ser ouvidos pela CPI na próxima sessão, segundo o plano de trabalho.

“Ele (ex-presidente da Fasc) porque assinou o contrato, era o único responsável pelas assinaturas dos contratos. O gestor maior. Ela (Patrícia) porque tinha nas suas atribuições fazer visitas periódicas e reportar, em relatórios que depois iam para os processos SEI, as condições da Pousada”, explicou o delegado.

Na ocasião, o presidente da CPI, Pedro Ruas (PSol), citou o fato de que o inquérito da PC indica que o incêndio pode ter sido causado por um problema termoelétrico. “A perícia conseguiu apurar o início do fogo, mas não conseguiu apurar o motivo do fogo, em razão da destruição”, explicou Ordahi.

Questionado o motivo pelo qual não ouviu, durante as investigações, o ex-secretário Léo Voigt, responsável pela pasta de Assistência Social durante o incêndio, o delegado afirmou não entender a necessidade, visto que a Fasc "era uma fundação com autonomia administrativa e financeira". Por solicitação do vereador Ramiro Rosário (Novo), o ex-secretário deverá ser ouvido novamente pela CPI.

Prefeitura não atua mais com sistema de hotelaria

Os vereadores também ouviram o atual secretário de Assistência Social, Matheus Xavier, que assumiu o comando da pasta em janeiro deste ano. Em uma Reforma Administrativa, a Fasc foi incorporada à secretaria de forma definitiva, sendo extinta.

Xavier afirmou que, atualmente, não existe nenhum contrato do tipo hotelaria do município de Porto Alegre com as Pousadas Garoa e a opção deste tipo de serviço pela prefeitura está descartada no momento.