Política

“Hora da PRF tomar lado”: servidor relata operações em rodovias do nordeste nas eleições 2022, veja vídeo

Para Adiel Pereira Alcântara, a direção-geral da Polícia Rodoviária Federal “estava criando uma polícia de governo, não de Estado”

PRF teria feito operações contra vans e ônibus que saíam do Sudeste com destino aos estados nordestinos
PRF teria feito operações contra vans e ônibus que saíam do Sudeste com destino aos estados nordestinos Foto : POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL / Divulgação / CP

“Tá na hora da PRF tomar lado” – esta frase teria sido dita a um servidor da Polícia Rodoviária Federal pelo ex-diretor de Operações da PRF Djairlon Henrique Moura. Ele é um dos pivôs do caso das fiscalizações nas estradas que teriam impactado no segundo turno das eleições de 2022.

O servidor em questão é Adiel Pereira Alcântara. À época dos fatos, ele era coordenador de análise de inteligência da PRF. Convocado, prestou depoimento ao Superior Tribunal Federal (STF) em 19 de maio para falar sobre supostos bloqueios policiais envolvendo ônibus com destino ao Nordeste, um tradicional reduto eleitoral do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ordem teria partido do então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques.

Adiel relata que operações foram realizadas especialmente para vans e ônibus que saíam de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro com destino aos estados nordestinos. O servidor questionou a ordem. Foi quando ouviu a frase de que a polícia precisaria tomar um lado.

“Eu era muito crítico à gestão do (Silvinei) Vasques. O Vasques estava buscando uma proximidade muito grande com o ex-presidente (Bolsonaro) e vinculando a imagem da PRF. (...) Eu ouvi, nessa reunião que eu tive na Diretoria de Operações, o inspetor Djairlon comentar que era ordem do diretor-geral esse tipo de policiamento direcionado. (...) E também uma cobrança do diretor-geral por abordagem de ônibus”, depôs Adiel.

O servidor foi questionado se esse descontentamento com a gestão de Silvinei Vasques era refletido internamente na PRF. “Esse aspecto crítico não era só meu. Era de grande parte do efetivo. Grande parte do efetivo não via com bons olhos essa proximidade, essa vinculação à imagem do ex-presidente (Bolsonaro). Essa vinculação vinha de 'motociatas', ele (Vasques) participava de 'motociatas' com motociclistas da PRF”, relatou.

O servidor da PRF sintetiza: “A gente não via isso bom (sic) porque estava criando uma polícia de governo, não de Estado”.