O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), criticou a prestação do serviço da CEEE Equatorial na Capital gaúcha durante comparecimento na comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investiga as concessionárias de energia elétrica no RS.
A prefeitura de Porto Alegre tem uma relação conturbada com a diretoria da CEEE Equatorial. O convívio tem sido ruim ao menos desde janeiro de 2024, quando, após fortes temporais, mais de 1 milhão de gaúchos ficaram sem luz por dias, a maioria na Região Metropolitana. Na época, houve oportunidades em que a empresa sequer chegou a retornar as ligações do prefeito.
Desde então a CEEE Equatorial tem presença constante nas redes sociais do prefeito, sendo alvo constante de críticas. Outro embate foi travado no campo do Judiciário em relação à responsabilidade das podas de árvores que estão em contato com fiação de energia elétrica.
Após divergências que duram meses, Melo prometeu um dossiê aos integrantes da CPI.
“Posso, no decorrer da CPI, fazer um dossiê de tudo o que estou dizendo para ajudar com nossas contribuições, com a quantidade de chamadas no Procon, no 156 (canal da ouvidoria), as multas aplicadas, os recursos recolhidos dessas multas. Se eles não mudarem a atitude, vou trancar o trabalho deles em Porto Alegre. Do jeito que está, não vai ficar".
Um documento que deve ser enviado à CPI é sobre uma ação civil pública contra a CEEE Equatorial e empresas de telefonia. “Há reuniões intermináveis com festival de mentiras das telefônicas e da Equatorial, um jogando para o outro, e vou entrar na Justiça. Não é possível mais continuar assim. As telefônicas são tão graves quanto a Equatorial.”
Melo relatou três problemas principais. Um, em relação às podas. Outro, em relação ao solo urbano e à instalação de postes em locais impróprios sem autorização prévia da prefeitura. Um terceiro tem a ver com a “sujeira” causada pela retirada de fiação e de galhos de árvores que depois não são recolhidos.
“A questão dos fios é gravíssima. Os postes são da CEEE Equatorial. São “sujeiros” da cidade. É fator estético e de segurança. Gente já quase morreu. Visitei agora um guarda municipal que está lá encostado e não sei se volta porque caiu de moto por causa de um fio que passou”, relatou Melo.
“Outro problema gravíssimo é postear sem avisar a prefeitura e estourar as redes de água e esgoto da cidade. E quem paga essa conta é o povo e o consumidor”, resumiu o prefeito.
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Audiências em Osório e Rio Grande
Antes do depoimento de Sebastião Melo, houve reunião ordinária da CPI. Os deputados marcaram as datas das audiências públicas de Osório, que deve ser realizada em 29 de setembro, e de Rio Grande, que deve ocorrer em 3 de outubro.
No município de Osório, a audiência deve ser destinada a debater com todos os municípios do Litoral Norte, que enfrentam recorrentes problemas de falta de energia elétrica. Da mesma forma acontecerá em Rio Grande, cuja reunião também será destinada a outros municípios da Região Sul do Estado que sofreram danos, como Pelotas e Camaquã.
Entidades empresariais
Ainda foram aprovados diversos requerimentos de convites e convocações para novos depoimentos. Desta vez, os requerimentos foram direcionados a entidades empresariais. Serão feitos convites a representantes da Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul); da Federação da Agricultura do RS (Farsul); Federação do Comércio de Bens e de Serviços do RS (Fecomércio-RS); Federação das Indústrias do RS (Fiergs); entre outras.