Uma manifestação, com cerca de 300 pessoas ligadas à agricultura, segundo os organizadores, começou nesta terça-feira em Pelotas, no sul do Estado. O grupo começou a se reunir no trevo que dá acesso a BR 392, por volta das 5h. Os bloqueios na rodovia que dá acesso ao Porto do Rio Grande começaram às 9h e foram até o meio-dia quando o grupo parou para o almoço, no mesmo local, embaixo da ponte. No início da tarde os bloqueios começaram. A Polícia Rodoviária Federal e a Ecovias Sul (concessionária que administra o trecho) acompanharam a mobilização. Segundo a PRF, o grupo é de 70 pessoas que utilizam 25 automóveis e quatro tratores para a manifestação. Os bloqueios ocorrem no sentido Pelotas Rio Grande.
A pauta dos manifestantes segue sendo a securitização ( alongamento de prazos para pagar as dívidas e financiamentos). Grandes faixas com o pedido foram colocadas sobre a ponte. Caravanas foram a Pelotas de vários municípios entre os quais estavam Canguçu, Santiago, Jaguari, Rio Pardo, Encruzilhada do Sul, Eldorado e Cacequi.
Sarah da Silveira Estigarribia viajou de Alegrete especialmente para participar do protesto. Chegou na segunda-feira em Pelotas, após participar da reunião da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul( Famurs). “Eles esclareceram que temos que pressionar os políticos envolvidos e esta é a forma”, disse.
A produtora de arroz lembra que a região da Fronteira Oeste foi muito atingida por anos de seca. “Nos últimos tempos também tivemos enchentes, então o produtor não teve respiro. É um golpe atrás do outro e já não sabemos o que fazer”, lamenta. Sarah conta que muitos produtores de soja foram embora da região onde mora, o que impacta economicamente nos municípios. “Isso preocupa bastante. O que devemos conscientizar a população inteira é que embora em um primeiro momento a verba apareça para o agronegócio, ela é para todos. O nosso Produto Interno Bruto (PIB) está acima disso”, destaca. ela explica que se a cadeia inteira é prejudicada as consequências também recaem sobre outros setores da economia. “Se o produtor não conseguir plantar, não vai conseguir contratar funcionários, comprar insumos e vai abalar o comércio em todas as escalas, seja na alimentação, no vestuário, ou . é uma causa que é social e econômica também”, esclarece. Uma nova manifestação no mesmo ponto deve ocorrer nesta quarta-feira.