A agropecuária foi destaque no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) para o primeiro trimestre, com crescimento de 12,2%, na comparação com o 4º trimestre de 2024. O resultado, entretanto, pode não se repetir para a próxima safra. O alerta é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que aponta o elevado custo do financiamento produtivo como fator relevante para o possível cenário de perspectivas.
Em nota técnica, a entidade destacou que os bons resultados desta safra, situação que não se repetiu no Rio Grande do Sul, se devem ao clima favorável e ao investimento realizado pelos produtores rurais.
“Esse mesmo nível de investimento pode não se repetir na próxima safra, diante do elevado custo do financiamento produtivo, atrelado a instabilidade econômica e política, dado as incertezas globais”, afirmou em nota técnica, no dia 30 de maio.
Conforme a CNA, o resultado da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano ficou praticamente em linha com as expectativas de mercado. Com o desempenho observado, o PIB totalizou R$ 3,0 trilhões no período, sendo R$ 2,6 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 431,1 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.
Pelo lado da oferta, o destaque foi a agropecuária (dentro da porteira), que superou as expectativas do mercado, inclusive as da CNA, mesmo já considerando a safra recorde de grãos estimada para este ano – 332,9 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A CNA também expressou, na nota técnica, que o crescimento da produção agropecuária é fundamental para a garantia do fornecimento de alimentos a preços acessíveis. Nesse sentido, políticas estruturantes – como o acesso a crédito com juros compatíveis e instrumentos de gestão de risco – são essenciais para a continuidade da atividade produtiva. Essas medidas asseguram a permanência do produtor no campo, promovem a segurança alimentar da população e fortalecem a balança comercial por meio das exportações.